As dificuldades no acesso a alguns serviços de cartões bancários e a troca de moeda, incluindo dólares australianos, estão a condicionar os gastos de visitantes a Timor-Leste, sem indicações, para já, de quando as limitações serão resolvidas.
Falta de informação oficial adequada causa situações em que visitantes não
conseguem ter acesso a dinheiro no país ou se encontram em situações
complicadas logo à chegada para pagar o visto de entrada.
Actualmente, apenas os cartões Visa são aceites nos multibancos das entidades
que operam em Timor-Leste, já que as do banco australiano ANZ – que permitiam o
uso de cartões da segunda marca mundial, o Mastercard – foram retirados quando a entidade encerrou a
sua banca de retalho.
O BNU, o banco português que investiu para trazer o Visa para Timor-Leste – e
que tem liderado muitos dos esforços para fortalecer o sector financeiro do
país, incluindo a promoção da primeira rede de multibanco – está a estudar a
possibilidade de integrar também o Mastercard.
Contudo, fonte daquela entidade financeira relembra que essa decisão é cara,
tem um custo que no caso do Visa ainda não foi compensado e que poderia,
também, ser implementado por outra das várias entidades no país, os indonésios
Mandiri e BRI e o timorense BNCTL.
“As marcas avaliam sempre a concessão das licenças para operar. Há uma taxa
mensal a pagar e o banco tem que procurar saber se vai ter ou não retorno em
transacções. Este é um mercado curto e que não compensa”, disse a fonte. “Notamos
alguma relutância dos outros bancos em fazer esse investimento. Nós estamos em
contactos preliminares para avaliar a possibilidade do BNU, com condições e
preço acessível, fazer esse investimento”, explicou a mesma fonte.
A situação está a causar problemas a muitos estrangeiros que viajam para o país
e suscitou mesmo, este mês, que o Governo do Reino Unido tenha actualizado a
informação sobre Timor-Leste por causa desta questão: “Em Díli os multibancos
são limitados. Nos distritos, multibanco, bancos ou cartões de crédito não
estão disponíveis. Nas viagens para os distritos levem notas pequenas porque
notas maiores são difíceis de trocar”, refere o aviso.
Uma informação parcialmente errada, uma vez que há dezenas de terminais
multibanco em Díli e multibancos da rede do português BNU e do timorense BCTL em
várias localidades do país, mas que mostra a preocupação com a situação.
Uma jornalista holandesa, Tjitske Lingsma, que está a visitar Timor-Leste –
onde trabalhou pela primeira vez em 1999 durante o referendo de independência –
explicou à Lusa as dificuldades que tem tido.
Lingsma trazia consigo alguns dólares americanos, a moeda oficial em Timor-Leste,
e cartões Maestro, da Mastercard, que não conseguiu utilizar: “Não consegui
levantar em lado nenhum. Tentei em todo o lado. Acabei por ter que transferir
dinheiro da minha conta na Holanda para uma amiga que o levantou e foi à
Western Union para o transferir para Díli”, explicou à Lusa. “Já estive em
Timor-Leste muitas vezes e é a primeira vez que não consegui usar o meu cartão.
E depois ninguém divulga informações sobre isto”, afirmou.
Outro dos problemas tem a ver com a troca de moeda estrangeira no país, já que
o banco central só aceita depósitos em dólares, o que implica que têm que ser
as entidades a responsabilizarem-se pelo caro transporte dessas moedas para o
exterior.
Com o fecho do retalho no AZN, com os indonésios a não aceitarem trocas de
moedas que não seja a rupia indonésia, o Banco Nacional Ultramarino era o único
que permitia trocar moeda australiana (AUD).
Porém, como explicou fonte da entidade, o mercado reduzido de compra de AUD
implica que o banco tem já um volume “significativo” que para retirar do país
terá que pagar um valor elevadíssimo. Isso levou o banco a deixar de aceitar
comprar dólares australianos.
Um outro problema – comum a outros países do sudeste asiático – tem a ver com a
‘idade’ das notas de dólares norte-americanos que os visitantes trazem.
Apesar do dólar norte-americano ser moeda oficial em Timor-Leste, o Banco
Central deu instruções para que não sejam aceites notas mais antigas que ainda
estão em circulação e que são comercializadas em bancos em todo o mundo.
Visitantes que chegam com dólares não os conseguem gastar porque os
comerciantes não aceitam e, em alguns casos, já nem o próprio BCTL as aceita.
“Não consigo entrar porque não aceitam as minhas notas. Dizem que já não valem.
Podes ajudar-me?”, perguntou recentemente um visitante que, à chegada a Díli,
não conseguia pagar o visto.

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