A Austrália vai procurar conter os fluxos de imigrantes com o endurecimento das regras de atribuição de vistos para estudantes e participantes de programas de férias e trabalho. As autoridades australianas vão reforçar ainda as medidas contra quem permanece por mais tempo no país após o fim da autorização, anunciou o governo nesta quinta-feira, numa altura em que a extrema direita está a ganhar terreno nas sondagens.
O ministro da Administração Interna, Tony Burke, disse ao Clube Nacional de Imprensa em Canberra que a imigração é “fundamentalmente uma força” para a Austrália, mas admitiu que a pressão sobre a habitação exige mudanças.
O governante negou que o governista Partido Trabalhista tenha endurecido as regras de atribuição de vistos em resposta ao avanço do ‘One Nation’, partido de extrema direita que se tornou um dos mais populares do país com a promessa de reduzir drasticamente a imigração. As entidades empresariais dizem que as novas medidas podem causar danos económicos ao país: “Necessitamos que a imigração diminua o suficiente para que a habitação consiga recuperar”, afirmou o ministro. Burke defendeu, no entanto, que a escassez de casas não é provocada pelos imigrantes.
A imigração estrangeira líquida — o ganho ou perda líquida de população pelos movimentos de entrada ou saída da Austrália — atingiu um pico de 538 mil pessoas em 2022, devido ao aumento nas chegadas com a reabertura das fronteiras após a pandemia de Covid-19.
O número caiu para 292.100 nos 12 meses encerrados em Março, de acordo com dados divulgados esta quinta-feira.
Burke lembrou que a queda representa uma redução de 47 por cento em comparação com o pico pós-pandemia e que as novas medidas ajudarão a alcançar uma meta de 225 mil imigrantes para o próximo ano.
Os australianos querem ver que o governo “assumiu o controlo” da imigração, mas também que “seja decente” ao abordar o tema, disse o ministro.
Os estudantes representam o maior número de chegadas, com 753.000 pessoas na Austrália, a maioria da China e da Índia, de acordo com os dados.
Com as novas regras, as famílias que procuram entrar no país ao abrigo do expediente da reunificação familiar deverão enfrentar novas restrições e será mais difícil mudar de curso para ampliar a permanência na Austrália, de acordo com Burke.

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