A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) considera que o fenómeno climático El Niño aumenta o risco de Macau e o sul da China poderem ser atingidos este ano por tufões mais intensos. O organismo prevê inclusive que algumas das tempestades que venham a afectar o território possam atingir o nível “superforte”.
O El Niño traduz-se num aquecimento anómalo das temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial, ocorrendo habitualmente a cada dois a sete anos, durante um período de entre nove a doze meses. De acordo com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos, embora o fenómeno contribua para a redução do número global de tempestades tropicais a entrar no mar do Sul da China, a respectiva intensidade tende a intensificar-se. Com a acumulação de águas quentes no Pacífico equatorial central e oriental, as tempestades formam-se mais a leste. O percurso prolongado sobre o oceano permite, consequentemente, que os ciclones absorvam continuamente mais vapor de água e energia térmica. O transporte de massas de ar mais quente e húmido, avisa ainda o organismo, deverá resultar num nível de precipitação no Inverno de Macau superior ao habitual.
Com base em projecções da Organização Meteorológica Mundial e do Centro Nacional de Clima da China, o actual ciclo poderá ser o mais forte desde o início dos registos documentais, com anomalias térmicas superiores a dois graus e meio a prolongarem-se até Fevereiro de 2027.
Em Hong Kong, o Observatório local estimou a ocorrência de quatro a sete tempestades tropicais em 2026 — um valor inferior às 14 registadas no ano passado —, mas sublinhou que o risco de evolução para supertufões permanece elevado. A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos aventa ainda a possibilidade de ocorrência de fenómenos semelhantes ao tufão Ragasa, considerado a tempestade mais poderosa a nível global em 2025.
Peritos científicos sublinham que este cenário surge em linha com os impactos das alterações climáticas, que estão a tornar os fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos à escala global, fazendo com que os tufões se formem mais perto da costa, se intensifiquem rapidamente e persistam durante mais tempo sobre terra.

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