Miopia afecta quase um terço dos alunos de Macau

Fotografia: Mario Beducci/Unsplash

Quase trinta por cento das crianças de Macau que frequentam o ensino pré-escolar e o ensino primário apresentam problemas de miopia. A Direcção dos Serviços de Saúde divulgou esta semana os resultados dos rastreios de saúde conduzidos junto dos estabelecimentos de ensino do território no último ano lectivo. Os dados relativos à saúde visual, auditiva e oral, bem como ao estado ponderal dos alunos, suscitam preocupação.

No que diz respeito ao rastreio visual, os exames conduzidos revelam que a miopia afecta 14.265 alunos, fasquia que corresponde a uma taxa de 29,1 por cento do total das crianças que se submeteram a avaliação.

Os dados mostram ainda uma taxa de astigmatismo de 13,5 por cento (6.611 alunos) e de hipermetropia da ordem dos 2,8 por cento (1.382 alunos). A Direcção dos Serviços de Saúde adianta ainda que 229 alunos –  0,5 por cento do total – apresentam problemas de estrabismo. Além disso, entre os 37.090 alunos que não usavam óculos, verificou-se uma taxa de erro refractiva de 22,6 por cento. Os Serviços de Saúde recomendam que, após a recepção dos resultados, os menores – 8385 alunos, no total – sejam submetidos o mais cedo possível a uma avaliação oftalmológica ou optométrica profissional, dando seguimento às medidas de correcção ou controlo prescritas.

No âmbito do rastreio auditivo, as conclusões dividem-se por vários níveis de ensino e métodos de triagem. Nos jardins de infância, realizaram-se rastreios com diapasão a 3.810 alunos do 1.º ano. Os Serviços de Saúde diagnosticaram resultados anómalos da ordem dos 0,16 por cento, equivalentes a 6 alunos.

As autoridades de saúde pública conduziram ainda um rastreio preliminar por audiometria tonal a 5.046 alunos do 3.º ano e detectaram 1 por cento de anomalias, ou seja, 48 alunos. Todos estes casos foram já encaminhados para o Serviço de Otorrinolaringologia. Já no ensino primário, 17.849 alunos do 2.º, 4.º e 6.º anos participaram num rastreio preliminar por audiometria online, registando uma taxa de anomalias de 14 por cento. Deste grupo, 2.506 alunos necessitaram de uma segunda avaliação por audiometria tonal nos centros de saúde, sendo que 1.550 compareceram. Onze apresentaram resultados anómalos – 0,7 por cento dos reavaliados – e foram encaminhados para acompanhamento especializado, recordando as autoridades que o rastreio preliminar não substitui um diagnóstico clínico.

No que concerne à saúde dental e a outros exames físicos, o exame oral efectuado a 12.318 alunos do 3.º e 5.º anos do ensino primário detectou uma taxa de suspeita de cárie dentária de 42,3 por cento, abrangendo 5.214 estudantes.

Adicionalmente, no exame da coluna vertebral a 6.487 alunos do 5.º ano, verificou-se que 3,2 por cento (207 alunos) necessitavam de avaliação adicional, enquanto a taxa global de excesso de peso, incluindo obesidade, em toda a RAEM se fixou nos 13,5 por cento. Face ao panorama geral, os Serviços de Saúde reforçam o apelo para que os encarregados de educação zelem pela alimentação, exercício físico e higiene oral dos filhos.

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