Os reguladores financeiros de Macau e de Hong Kong anunciaram esta quinta-feira uma subida de 0,25 pontos percentuais nas respectivas taxas de juro de referência, na sequência de um anúncio similar feito pela Reserva Federal norte-americana.
Tomada por unanimidade após uma reunião de dois dias, a decisão da Reserva Federal eleva as taxas de juro em 25 pontos base, fixando-as no intervalo entre 3,75 e 4 por cento. Trata-se da primeira subida das taxas de juro de referência desde o Verão de 2023. De acordo com o presidente da instituição norte-americana, Kevin Warsh, poderá ser necessário proceder a uma nova subida até ao final do ano para combater a inflação.
Em Hong Kong, a Autoridade Monetária (HKMA) subiu a taxa de juro de referência logo após o anúncio da Reserva Federal, decisão que reflecte a indexação do dólar de Hong Kong ao dólar norte-americano. Menos de meia hora depois, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) elevou a taxa de redesconto para 4,25 por cento, com efeitos imediatos. A AMCM justificou a medida como inevitável, uma vez que a pataca está indexada ao dólar de Hong Kong. A decisão mantém a consistência entre as taxas de juros dos dois territórios.
A subida ocorre num momento em que o crédito malparado em Macau tem vindo a registar descidas. Após atingir um recorde histórico de 57,8 mil milhões de patacas (6,2 mil milhões de euros) em Junho de 2025, os empréstimos vencidos caíram pelo terceiro mês consecutivo, fixando-se em 46 mil milhões de patacas (4,9 mil milhões de euros) no final de Julho.
O crédito vencido representava, nessa altura, 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos locais. O valor sobe para 4,7 por cento no caso de empréstimos a instituições ou indivíduos fora da região. Estes valores encontram-se distantes do recorde de 25,3 por cento registado em meados de 2001, em plena crise gerada pelo rebentar da bolha das empresas ligadas à Internet, e situam-se abaixo do limite de 5 por cento a partir do qual a Autoridade Bancária Europeia considera que os bancos apresentam uma “elevada exposição” ao risco.

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