Bruxelas que empenho de Pequim na reforma da Organização Mundial do Comércio

A posição foi ontem defendida por Cecilia Malmstrom, perante a possibilidade de Washington poder vir a avançar com o seu próprio sistema de comércio. A Comissão europeia defendeu em Paris que a China deve contribuir para a reforma e a modernização da Organização Mundial do Comércio.

A comissária do Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom, pediu esta sexta-feira que a República Popular da China se envolva com a Europa na reforma da Organização Mundial do Comércio, perante o risco de os Estados Unidos da América imporem um sistema próprio de comércio.

“A China tem beneficiado muito com a Organização Mundial do Comércio (OMC), por isso pedimos que se empenhe em reformar e modernizar o sistema, para criar as condições para uma competição saudável”, instou Cecilia Malmstrom, durante um discurso em Paris, por ocasião de uma conferência sobre a reforma da Organização Mundial do Comércio.

“Se assim não acontecer, serão os Estados Unidos a criar as suas próprias regras, fora do sistema”, disse Malmström, fazendo um apelo para que se reformem as regras do comércio internacional, perante o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, e o director-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevedo.

“As regras precisam de ser actualizadas. Quando as desenhámos, em 1995, tínhamos outro sistema económico em mente”, disse Malmstrom.

Sem citar directamente a República Popular daChina, a comissária europeia insistiu na necessidade de mudar as práticas de que Pequim é frequentemente acusada, particularmente pelos Estados Unidos e pela União Europeia: “Precisamos de lidar com as distorções (…) causadas por certas práticas, como subsídios à indústria, pelo papel do Estado nas empresas públicas e pela transferência forçada de tecnologia”, disse Malmstrom.

De sua parte, Le Maire lembrou que o próprio Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu já a reforma da Organização Mundial do Comércio, durante um discurso na OCDE, no final de Maio.

Na sua intervenção, o ministro francês das Finanças defendeu uma reforma “rápida, concreta e ambiciosa” da OMC, alertando para o risco de uma “guerra fria comercial” entre a China e os Estados Unidos da América: “Estamos hoje perante uma situação de guerra comercial entre os Estados Unidos e a República Popular da China, que é perigosa para a nossa economia, para o crescimento e para os nossos empregos”, disse Le Maire, que criticou as sanções comerciais recentemente impostas pela administração Trump.

“Esta guerra económica só terá perdedores, é injustificada, injustificável e simplesmente estúpida”, concluiu Le Maire.

Recentemente, o Presidente francês pediu à OCDE um “diagnóstico” de “disfunções do sistema actual” e um roteiro que poderia ser estabelecido na cimeira do G20 realizada no final do mês em Buenos Aires.

A República Popular da China respondeu então positivamente a este apelo de Macron e de outros dirigentes mundiais e disse estar “pronta para trabalhar” com todos os membros da OMC para tornar as regras “mais abertas, mais inclusivas, mais transparentes e não discriminatórias”.

 

 

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