A taxa de inflação em Macau registou um crescimento de 1,16 por cento entre Janeiro e Setembro de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. A fasquia corresponde à maior subida acumulada dos últimos seis anos.
De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a subida do Índice de Preços no Consumidor (IPC) homólogo neste período é a mais expressiva desde 2020, ano em que o indicador se fixou em 1,37 por cento nos primeiros nove meses e encerrou nos 0,81 por cento. Se o ritmo de crescimento dos preços se mantiver no último trimestre, a taxa de inflação anual de 2026 poderá ser a mais elevada desde 2019, ano pré-pandémico em que se situou nos 2,75 por cento.
O principal factor que explica a subida da inflação no território foi o encarecimento dos combustíveis, que registou um aumento de 11,2 por cento. O agravamento dos preços neste sector reflecte, de acordo com as autoridades locais, o impacto da instabilidade geopolítica no Médio Oriente sobre os mercados internacionais de energia, influenciando as cotações globais dos combustíveis e do gás natural.
A pressão inflacionista fez-se sentir igualmente no sector alimentar. A categoria de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas registou um acréscimo de 1,15 por cento, impulsionada pelo encarecimento das refeições fora de casa, que subiram 1,23 por cento. Já no sector habitacional, os custos com rendas e hipotecas de habitações aumentaram 0,33 por cento e 0,49 por cento, respectivamente. Neste contexto macroeconómico, a Autoridade Monetária de Macau aprovou em Setembro uma subida na taxa de juro de referência, a primeira atualização em alta decidida pela instituição desde 2023.
A conjuntura internacional afectou também o comércio a retalho de bens de luxo, muito procurados pelos visitantes da China continental. Em virtude da valorização do ouro nos mercados globais, os preços do sector de joalharia, ourivesaria e relógios em Macau subiram 27 por cento.
Nas economias vizinhas, a trajectória dos preços apresentou comportamentos alinhados. Na China continental, principal parceiro comercial de Macau, o IPC registou uma variação positiva de 0,9 por cento nos primeiros nove meses do ano. Por sua vez, a Região Administrativa Especial de Hong Kong assinalou um ritmo de inflação ainda maior: na antiga colónia britânica a tendência de encarecimento fixou-se nos 1,7 por cento no mesmo período acumulado.

O que pensa deste artigo? Deixe-nos a sua opinião.