Casinos injectam nove mil milhões de patacas em novo fundo governamental

As seis concessionárias de jogo de Macau vão contribuir com um montante combinado de 9 mil milhões de patacas (1,12 mil milhões de dólares norte-americanos) para o Fundo de Orientação do Governo de Macau.

O investimento, esclareceu o Executivo durante a apresentação do novo instrumento financeiro, destina-se a impulsionar a diversificação económica do território para além do sector do jogo e a reforçar a integração de Macau com Hengqin e a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Com este contributo privado, somado aos 11 mil milhões de patacas provenientes das reservas fiscais da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), o capital total inicial do fundo atinge os 20 mil milhões de patacas na sua primeira fase.
Os acordos foram formalizados na sexta-feira, numa cerimónia que contou com a presença de representantes do Governo de Macau, do Gabinete de Ligação do Governo Central e dos principais quadros executivos de todas as operadoras.
Cada uma das seis empresas atuará como sócio comanditário (limited partner) da estrutura criada no início do ano, contribuindo com valores distintos, conforme foi detalhado nos comunicados enviadas à Bolsa de Valores de Hong Kong. A Sands China lidera a participação privada ao disponibilizar 2,3 mil milhões de patacas (25,6 por cento do total das operadoras), seguida de perto pelo Galaxy Entertainment Group com 2,27 mil milhões de patacas (25,2 por cento). A Wynn Macau contribuirá com cerca de 1,37 mil milhões de patacas (15,2 por cento), a MGM China Holdings com 1,24 mil milhões de patacas (13,8 por cento), a SJM Holdings com 992,7 milhões de patacas (11 por cento) e a Melco Resorts & Entertainment com 828 milhões de patacas (9,2 por cento).
A Secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, sublinhou durante o acto oficial que a assinatura dos acordos assinala o lançamento formal da iniciativa e resultou de negociações –  amigáveis – entre o governo local e as concessionárias. A responsável destacou a resposta positiva e a cooperação proactiva do sector privado, classificando a iniciativa como um reflexo do espírito de colaboração entre o governo e as empresas, bem como uma demonstração da confiança da comunidade empresarial no desenvolvimento futuro de Macau.
As contribuições financeiras para o fundo governamental serão efectuadas de forma faseada e serão abatidas aos compromissos de investimento não-jogo assumidos pelas operadoras no âmbito das suas actuais licenças de exploração de jogo, que vigoram entre 2023 e 2032.
Originalmente fixadas num total de 108,8 mil milhões de patacas, as obrigações globais das concessionárias para projectos fora do sector do jogo foram revistas em alta em 20 por cento,  somando agora cerca de 130,4 mil milhões de patacas, após as receitas brutas do jogo do território terem ultrapassado a fasquia dos 180 mil milhões de patacas em 2023. Ng Wai Han enalteceu o papel contínuo das operadoras no desenvolvimento da região enquanto centro mundial de turismo e de lazer e no cumprimento das suas obrigações contratuais de investimento na diversificação económica.
O Fundo de Orientação Governamental funcionará com base num modelo de “capital paciente”, dando prioridade ao desenvolvimento industrial e os benefícios sociais a longo prazo em detrimento de retornos financeiros imediatos. A estratégia incidirá sobre os sectores emergentes previstos no plano de diversificação “1+4”, com foco nas áreas dos serviços financeiros, tecnologia, cuidados de saúde e ciências da vida. A Secretária para a Economia e Finanças salientou que a modernização industrial e a inovação tecnológica exigem avultados investimentos de longo curso. O fundo, acrescenta, propõe-se mobilizar capital privado e conjugar políticas públicas com agentes privados e as forças vivas do mercado. Paralelamente, o Governo da RAEM estendeu o convite à participação de novos investidores privados, gestores de fundos e a empresas tecnológicas para se instalarem no território e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.
Com um prazo inicial de quinze anos — que inclui um período de investimento activo de cinco anos —, o fundo terá a sua gestão quotidiana assegurada pela Macau Investment and Management Company Limited, entidade criada no início deste ano. A orientação estratégica a longo prazo, a definição de indústrias prioritárias, os planos anuais e a selecção de gestores e grandes investimentos ficarão a cargo de um comité de direcção presidido pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai. A cerimónia de assinatura contou ainda com a participação do Director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Zheng Xincong, e dos directores executivos das seis concessionárias, incluindo Pansy Ho (MGM China), Philip Cheng (Galaxy Entertainment), Sun Minqi (Sands China), Lawrence Ho (Melco Resorts), Linda Chen (Wynn Macau) e Timothy Fok (SJM Holdings).

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