Manuais. Conselheiros pedem maior sensibilidade ao Governo

Os Conselheiros das Comunidades Portuguesas vão enviar uma carta a Alexis Tam em que pedem ao Governo que adopte uma abordagem mais conciliatória no toca à história do território. Em causa está a forma como a presença portuguesa é apresentada por um novo manual de história que deve ser adoptado por cerca de metade das escolas secundárias do território a partir do próximo ano lectivo.

Os Conselheiros das Comunidades Portuguesas tencionam endereçar uma carta ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, em que aconselham o Governo a adoptar uma abordagem mais conciliatório no âmbito da redacção do novo manual de história que a partir do próximo ano deverá ser adoptado por cerca de metade dos estabelecimentos de ensino do território.

A garantia foi esta manhã dada ao Canal Macau pela presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Ásia e na Oceânia. Rita Santos diz que o novo manual dá uma imagem enviesada das actuais relações entre chineses e portugueses: “Nós vamos escrever uma carta ao Governo de Macau, de forma a que possa haver um termo não tão forte, que seja aceite por todas as comunidades, não só a portuguesa, mas também a chinesa. Os chineses gostam muito da presença dos portugueses, porque nós convivemos muito com eles”, defendeu a conselheira.

De acordo com o jornal Tribuna de Macau, o manual associa a presença portuguesa ao contrabando, a actividades de piratas e a práticas de corrupção. Rita Santos teme que a escolha dos termos possa suscitar descontentamento no seio da comunidade portuguesa: “A utilização da linguagem, de algumas expressões tem de ser mais cuidadosa. Porquê? Porque isto pode criar descontentamento entre os portugueses. Pode, portanto, ser adoptado um termo mais suave, de forma a que possa ser aceite por ambos os lados”, sugere Rita Santos.

O mesmo jornal adianta que o manual se encontra a ser analisado por 43 estabelecimentos de ensino e que 21 já terão transmitido à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude a intenção de o adoptar.

Miguel de Senna Fernandes considera que a forma como o manual foi redigido se trata de algo pontual, que não reflecte nem o pluralismo, nem a multiculturalidade de Macau. O presidente da Associação dos Macaenses lamenta, ainda assim, que a história do território não tenha sido alvo de uma abordagem mais cuidada: “Não podemos deixar de lamentar que nesta versão se tratem as coisas com menos cuidado. Julgo que é isso que é preciso realçar. De resto, é um mero apontamento e tem que ser encarado como tal, porque caso contrário, nós estariamos a levantar uma questão absolutamento desnecessária”, defende Senna Fernandes.

Já Amélia António opta pela prudência. A presidente da Casa de Portugal em Macau diz que não teve acesso ao manual e, como tal, reserva uma eventual tomada de posição para quando se inteirar por completo da matéria: “Não tive oportunidade de ter acesso aos manuais e acho que é fundamental que a gente os leia para perceber como é que estão escritos, qual é o enquadramento e como é que as coisas se definem, para podermos depois, então, pronunciarmo-nos com segurança sobre o que estamos a dizer”, assume a dirigente.

Os manuais foram elaborados pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, mas o processo contou com a colaboração de uma editora de Pequim, a Editora Educativa Popular. Para a redacção contribuíram historiadores e docentes locais, que ajudaram a dar forma à concretização de uma medida anunciada por Fernando Chui Sai On em Novembro de 2016, na Assembleia Legislativa.

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