A foice, o martelo e o crescente. Bandeira chinesa obrigatória nas mesquitas da China

A normativa foi emitida este fim de semana: as mesquitas chinesas vão ter que passar a içar a bandeira da República Popular da China e os que as frequentam vão ter que passar a estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional chinesa. A prerrogativa já está a ser aplicada na região autónoma de Ningxia Hui.

Todas as mesquitas da República Popular da China vão ter que içar, a partir de agora, uma bandeira do país e “estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional” chinesa,  de acordo com uma directriz das autoridades islâmicas chinesas, ligadas ao Partido Comunista.

A normativa foi emitida este fim de semana pela Associação Islâmica da China, noticiou o jornal oficial Global Times.Várias mesquitas na região de Ningxia Hui começaram já a aplicar esta ordem.

De acordo com especialistas citados pelo Global Times, a iniciativa visa “assimilar a religião na sociedade socialista”.

A directriz surge depois de a agência noticiosa Associated Press ter reportado a criação de centros de doutrinação política para muçulmanos, que obriga os detidos a comer carne de porco ou a beber álcool.

Estes centros estão concentrados na região do Xinjiang, também no noroeste da China, palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, que causaram 156 mortos e mais de mil feridos.

Pequim decidiu, entretanto, banir ou controlar várias práticas muçulmanas, incluindo manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, afirmando que são símbolos do “extremismo islâmico”.

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), as autoridades chinesas estão também a impor a famílias no noroeste do país que recebam funcionários públicos em suas casas.

Os funcionários estão encarregues de recolher e actualizar informação sobre as famílias, incluindo religião ou opiniões políticas, e reportar e “corrigir problemas” ou “situações inusuais”.

Os funcionários fazem ainda doutrinação política, incluindo promover o “Pensamento de Xi Jinping [o Presidente chinês]” e advertir contra os perigos do “pan-islamismo”, e outras ideologias que o Governo considera uma ameaça.

Estima-se que existam cerca de 23 milhões

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