Cerca de 13,5 por cento dos alunos do ensino pré-escolar e primário em Macau – uma em cada seis crianças – apresentam excesso de peso, revelou a Direcção dos Serviços de Saúde na quinta-feira. Os dados foram avançados na conferência de imprensa de apresentação dos dados obtidos no âmbito do programa “Cuidados de Saúde Escolar” relativos ao ano lectivo de 2025/2026. O estudo abrangeu 52 mil alunos de 97 estabelecimentos de ensino.
A chefe do Departamento de Cuidados de Saúde Comunitários dos Serviços de Saúde, Wong In, assinalou a dimensão do problema nas faixas etárias mais jovens. Em paralelo, um estudo complementar conduzido pelo Hospital Kiang Wu junto de 546 estudantes do ensino secundário concluiu que 18,7 por cento também apresentam excesso de peso, o que significa que perto de uma em cada seis crianças e jovens do território se depara com problemas de obesidade, segundo Wong Kin Sing, pediatra e consultor da Direcção dos Serviços de Saúde.
Os especialistas alertam para as graves consequências clínicas associadas a este cenário. Entre os menores com obesidade, 13,3 por cento desenvolvem acantose nigricans, identificada como um sinal de alerta precoce para a diabetes tipo 2. O quadro incrementa de forma substancial o risco de complicações cardiovasculares futuras, tais como doença coronária, enfarte do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Como principais factores responsáveis pela tendência, a Direcção dos Serviços de Saúde apontou a facilidade de acesso a produtos alimentares hipercalóricos, ricos em açúcar, sal e gorduras, conjugada com a escassez de actividade física regular por parte dos mais jovens.
Face aos resultados, as autoridades de saúde formularam um apelo directo às famílias para que reforcem a supervisão da saúde infantil. Entre as recomendações fundamentais destacam-se a adopção de uma dieta equilibrada, a prática diária de pelo menos uma hora de exercício de intensidade moderada e a imposição de um limite rigoroso de duas horas por dia para a utilização de ecrãs.

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