Os trabalhadores estrangeiros que venham a ser contratados para tomar conta de idosos poderão ganhar entre 10 a 20 por cento mais do que as trabalhadoras migrantes que já exercem funções em Hong Kong. A proposta é a pedra basilar de um novo programa-piloto de assistência a idosos anunciado na sexta-feira pelo Secretário para o Trabalho e Bem-Estar da RAEHK, Chris Sun.
A iniciativa, divulgada na apresentação das Linhas de Acção Governativa, na quarta-feira, deverá permitir que cuidadores com formação avançada e experiência em cuidado geriátrico entrem em Hong Kong, a título experimental, para cuidar de idosos que vivem nas suas próprias casas.
O programa será lançado no próximo ano e terá por base o regime já existente para a admissão de trabalhadores domésticos estrangeiros, ainda que com algumas cambiantes de vulto.
Em conferência de imprensa, Sun mencionou o envelhecimento da população de Hong Kong e a crescente procura dos empregadores por profissionais mais qualificados para cuidar de familiares idosos: “Esta proposta oferece uma escolha ao público. Se só necessita de um trabalhador doméstico estrangeiro não-qualificado, continua a contratar através do mercado habitual”, disse. “Mas, se precisar de alguém altamente qualificado, certificado e capaz de prestar serviços de assistência a idosos, poderá pagar um pouco mais para contratar um cuidador doméstico estrangeiro especializado”, acrescentou o governante, citado pela RTHK.
Sun afirmou que os cuidadores receberão formação certificada em assistência a idosos, que o governo pretende que seja amplamente equivalente ao nível de um profissional de saúde que trabalha em instituições como lares, centros de dia e casas de repouso.
Os candidatos terão de ter pelo menos três anos de experiência na área do cuidado ao idoso. A exigência garante o estabelecimento do que Sun descreveu “como uma estrutura de formação certificada relativamente clara”.
Sun desvalorizou as preocupações de que o novo sistema possa vir a desestabilizar as regras do mercado no que toca à contratação de trabalhadores domésticos estrangeiros.
O Secretário para o Trabalho e Bem-Estar de Hong Kong explicou que os actuais trabalhadores que pretendam candidatar-se a empregos como cuidadores domésticos teriam, em primeiro lugar, de regressar aos seus países de origem, completar a formação exigida e cumprir os requisitos de qualificação antes de voltarem a trabalhar em Hong Kong.
Chris Sun acrescentou que as conversações já mantidas com os países de origem – nações como as Filipinas, a Indonésia ou o Myanmar – indicaram a existência de muitos jovens qualificados que talvez se mostrassem relutantes em trabalhar apenas como trabalhadores domésticos. Oferecer-lhes uma função com um título profissional e uma remuneração mais elevada poderá ser para eles mais atractivo.
De acordo com o sistema proposto, os cuidadores domésticos estrangeiros desempenhariam também outras tarefas domésticas, como cozinhar. Sun afirmou ainda que o governo não pretende estabelecer quotas para o programa-piloto.

Leave a Reply