Cinquenta anos após a sua morte, simpatizantes fervorosos do líder comunista chinês Mao Tsé-Tung formaram uma fila esta quarta-feira na sua cidade natal para prestar homenagem ao fundador da República Popular da China. O tributo – que envolveu retratos, bandeiras e enormes coroas de flores – decorreu na praça principal de Shaoshan, na província de Hunan.
Grande impulsionador da República Popular da China, Mao faleceu a 9 de Setembro de 1976. A sua vida e o seu legado são celebrados com grande fervor esta semana por aqueles que ainda o veneram como um líder visionário.
Numa altura em que a China enfrenta uma desaceleração económica, a nostalgia pelos ideais igualitários de Mao aumenta, embora os historiadores também atribuam às suas políticas drásticas fomes massivas e milhões de mortes.
Os turistas, incluindo muitos estudantes universitários, depositaram coroas de crisântemos, garrafas de licor chinês e cigarros aos pés de uma estátua de bronze de Mao, de 10 metros de altura, na praça principal de Shaoshan, na província central de Hunan.
Centenas de visitantes alinharam-se em filas cuidadosamente organizadas para se curvar solenemente e respeitar alguns segundos de silêncio, enquanto outros posavam para fotos diante do monumento, sob o olhar atento de agentes da polícia. Deng, um turista de 28 anos, disse à AFP que sente grande respeito por Mao. “Senti vontade de vir aqui hoje para o recordar, porque o 50º aniversário é algo que só acontece uma vez na vida”, disse.
Durante a noite de terça-feira, quase mil pessoas, algumas usando os trajes curtos estilo túnica que Mao costumava usar, organizaram uma cerimónia perto da estátua.
Alguns participantes exibiam relíquias do passado: retratos antigos do líder comunista e exemplares do “Livro Vermelho”, uma colectânea de citações de discursos e textos de Mao que, durante a presidência do líder comunista, foi praticamente omnipresente na China. “Viva o presidente Mao!”, gritou o grupo diversas vezes, enquanto alguns erguiam os punhos e entoavam canções revolucionárias.
Simbologia e legado
Os sinais de Mao são omnipresentes em Shaoshan, que ganhou fama graças ao homem que viria a ser conhecido como o “Grande Timoneiro”.
A cidade, onde Mao nasceu em Dezembro de 1893, foi promovida pela imprensa estatal como um destino de “turismo vermelho”, parte da campanha de décadas de Pequim para atrair turistas fascinados pela história do regime comunista.
Embora o seu legado se tenha revelado por vezes complicado para os líderes do país, Mao continua a ser um símbolo inescapável do regime comunista. O seu rosto aparece nas notas, muitos taxistas chineses penduram amuletos da sorte com a sua imagem no retrovisor e um grande retrato de Mao ocupa um lugar de destaque na Praça da Paz Celestial, em Pequim.
O governo de Mao, no entanto, ficou marcado por dezenas de milhões de mortes provocadas pela fome durante a campanha de industrialização conhecida como “Grande Salto em Frente” e pela sangrenta Revolução Cultural que o dirigente terá orquestrado, segundo os historiadores.
Embora o partido tenha reconhecido estas décadas como um “erro”, Mao ainda é apresentado como um herói na narrativa oficial e a imprensa estatal celebra-o como “um grande revolucionário da luta proletária”.

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