O líder norte-coreano, Kim Jong Un, convocou uma reunião para discutir as capacidades nucleares do país, informou a imprensa estatal neste domingo. O encontro marcou a primeira aparição do déspota norte-coreano em três semanas, depois de um primeiro período de ausência ter suscitado uma vaga de especulação sobre o seu estado de saúde.
Os responsáveis do Partido dos Trabalhadores, partido único norte-coreano, usaram máscara para cumprimentar Kim quando o líder norte-coreano entrou na reunião da poderosa Comissão Militar Central do partido. As imagens foram difundidas pela televisão estatal da Coreia do Norte, mas ninguém, incluindo Kim, foi visto a usa máscara durante a reunião.
Numa altura em que as negociações com os Estados Unidos relativas à desnuclearização se encontram num impasse, a reunião discutiu medidas que visam reforçar as forças armadas da Coreia do Norte e “conter de forma confiável as grandes ou pequenas ameaças militares persistentes das forças hostis”, escreveu a agência de notícias estatal KCNA.
Em discussão esteve a possibilidade de Pyongyang poder vir a “aumentar a capacidade de dissuasão de um conflito nuclear e colocar as forças armadas estratégicas em estado de alerta máximo”. Sobre a mesa esteve também a adopção de “medidas cruciais para aumentar consideravelmente a capacidade de poder de fogo de ataque das peças de artilharia”, adianta a agência estatal norte-coreana.
Kim protagonizou um número atipicamente pequeno de aparições em público nos últimos dois meses e esteve ausente de uma efeméride importante e a ausência suscitou uma vaga de especulações sobre o seu estado de saúde, dado que Pyongyang intensificou sensivelmente ao mesmo tempo as medidas contra a pandemia do Covid-19.
A Coreia do Norte assegura que não registou qualquer caso confirmado do novo coronavírus, mas os serviços secretos da Coreia do Sul sustentam que não se deve descartar a possibilidade do Norte ter sido palco de um surto.
As negociações lideradas pelos EUA com o objectivo de desmantelar os programas nucleares e balísticos da Coreia do Norte tiveram poucos progresso desde o final do ano passado, particularmente após o início do braço-de-ferro global contra o coronavírus.
O chefe da diplomacia do Executivo da República Popular da China, Wang Yi, mostrou-se esperançado neste domingo de que os Estados Unidos da América e a Coreia do Norte possam retomar um diálogo significativo o mais rápido possível, “e não desperdiçar os resultados conquistados com muito esforço” ao longo dos últimos anos.
O interesse, por parte da Coreia do Norte, em aumentar as suas capacidades nucleares coincidem com as notícias de que os Estados Unidos da América podem vir a conduzir o seu primeiro teste nuclear desde 1992, observou Leif-Eric Easley, que ensina estudos internacionais na Universidade Ewha Womans, em Seul : “A intenção de Washington de ponderar essa medida pode ser pressionar a Rússia e a China a melhorar os compromissos e a aplicação dos tratados internacionais de controlo de armas”, defendeu Easley. “Mas essa abordagem pode não só incentivar esses países a assumir mais riscos nucleares, como também pode dar a Pyongyang uma desculpa para uma próxima provocação.”

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