Centenas de milhares de pessoas fizeram fila na vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong para adquirir máscaras esta sexta-feira, tentando através da Internet aquilo que não conseguem na rua. Em vez de saírem de casa e enfrentarem o mau tempo que se faz sentir na antiga colónia britânica, milhares esperaram por detrás do ecrã. Uma reportagem da empresa pública de radiodifusão de Hong Kong, a RTHK.
Filas infindáveis que serpenteiam por várias ruas e enchem centros comerciais tornaram-se uma visão familiar na vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong, com milhares de pessoas a perderem incontáveis horas para conseguir adquirir máscaras com que se possam defender da propagação do novo coronavírus. Esta sexta-feira, as filas saltaram das ruas para o mundo virtual, depois da cadeia de lojas Watson ter anunciado que iria disponibilizar para venda um novo carregamento de máscaras.
Para evitar ajuntamentos e incidentes como os que na semana passada ocorreram em vários pontos da antiga colónia britânica, a Watson anunciou que as máscaras seriam comercializadas mediante pré-inscrição no portal electrónico da cadeia de venda a retalho. A corrida arrancou ao meio-dia e no intervalo de segundos milhares de pessoas dirigiram-se ao “site” com o propósito de se registar para adquirir uma caixa de 50 máscaras. Houve quem tentasse a sorte dois minutos depois do meio-dia, apenas para descobrir que quase setecentos mil outros candidatos à compra tinham sido mais rápidos.
A quota de registo disponível – a Watson revelou posteriormente que o número de caixas disponíveis para venda era apenas de 30 mil – ficou preenchida em apenas 45 minutos, mas a empresa anunciou nas redes sociais que no auge da procura o portal electrónico recebeu 1,49 milhões de visitas.
Os 30 mil felizardos que se conseguiram registar com sucesso deverão receber e-mails de confirmação e mensagens de texto a explicar como podem pagar os produtos adquiridos e em que lojas os podem levantar.
Citado pela RTHK, uma estudante universitária de apelido IP lamentou a falta de sorte, mas elogiou, ainda assim, o método adoptado pela rede de lojas para disponibilizar as máscaras: “Eu sabia que não ia ter grande sorte quando vi cerca de 200.000 pessoas à minha frente na fila. Ainda assim, as compras online são melhores do que ter que fazer fila na rua”, disse.
Em Macau, o plano de distribuição de máscaras gizado pelo Executivo liderado por Ho Iat Seng tem poupado o território aos episódios extremos de que a antiga colónia britânica tem sido palco sempre que são colocadas máscaras à venda. Ainda assim, a corrida às máscaras não são um fenómeno inexistente no território. Esta manhã, dezenas de pessoas concentraram-se no exterior de uma loja de conveniência situada na Calçada de São João, junto à Avenida da Praia Grande, para adquirir máscaras, numa das raras ocasiões em que estabelecimentos comerciais não subvencionados pelo Governo conseguiram disponibilizar máscaras para venda.

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