O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o crescimento da economia de Macau tenha desacelerado para 5,6 por cento em 2018, valor que fica muito aquém do crescimento de 9,7 por cento registado pela economia do território em 2017.
O FMI sustenta que a “receita do jogo e turismo voltou a crescer em 2017 e no início de 2018”, mas que na segunda metade do ano passado foi registado “um crescimento moderado (…) um investimento menor e a redução do jogo VIP”, derivado da desaceleração da economia chinesa e das “tensões comerciais entre os Estados Unidos da América e a República Popular da China”.
Em Abril, ainda na primeira metade do ano passado, o Fundo Monetário Internacional tinha antecipado um crescimento de 7 por cento em 2018.
“A inflação aumentou em 2018, impulsionada pelos preços da habitação, alimentos e energia. O crédito continuou a aumentar ao longo de 2018, enquanto a taxa de juro de empréstimos aumentou ligeiramente”, lê-se num relatório de análise à economia do território divulgado pelo organismo.
Em relação aos factores positivos, o FMI ressalva que o desemprego continua baixo em Macau. De acordo com dados oficiais, o desemprego no território fixou-se nos 1,8 por cento em 2018, um valor que representa uma melhoria de 0,2 pontos percentuais em relação a igual período do ano passado.
Em 2019, o crescimento deverá diminuir um ponto percentual, para os 5,5 por cento, de acordo com o Fundo Monetário Internacional. A desaceleração prevista para o corrente ano, justifica-a o FMI com a diminuição das receitas provenientes do segmento VIP do jogo, tendência que se vai reflectir no volume de impostos directos sobre o jogo arrecadados pelo Governo.
Em 2018, os impostos diretos – 35 por cento das receitas brutas – sobre o jogo representaram 79,6 por cento da totalidade das receitas públicas de Macau, de acordo com dados oficiais das autoridades do território.
O Fundo Monetário Internacional prevê ainda que o investimento “permaneça fraco, embora melhorando a médio prazo, em parte devido ao expirar das licenças de jogo”, que terminam entre 2020 e 2022. Até à data não é conhecido um calendário para a revisão das licenças, nem é claro se o modelo mantido será o das concessões e subconcessões.
O Fundo Monetário Internacional aponta, contudo, que “apesar de as perspectivas serem mais moderadas” do que nos últimos tempos, “elas são também menos voláteis”, esperando ainda “que os superavits fiscais continuem no médio prazo”, ainda que mais reduzidos.
Para o Fundo Monetário Internacional, os maiores riscos para a economia de Macau chegam do outro lado das Portas do Cerco: “A economia pequena e aberta de Macau é altamente vulnerável à evolução económica, financeira e política no Continente. Com a maioria dos turistas vindos do Continente, qualquer política que prejudique o seu poder de compra no exterior afecta negativamente o crescimento”.
As tensões comerciais entre os Estados Unidos da América e da República Popular da China, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, podem ter um impacto significativo no território, através da diminuição do número de turistas chineses que assomam a Macau. De acordo com dados oficiais , da China Continental chegaram 25 dos 35,8 milhões de turistas que visitaram Macau em 2018.
As tensões sino-americanas, avisa a instituição, podem causar a “redução do investimento por parte dos três operadores de casinos norte-americanos (MGM, Wynn e Sands)”.
Como fator desestabilizador para a indústria do jogo, o FMI diz que a aposta no jogo por parte de alguns países emergentes asiáticos pode começar a desviar turistas de Macau.
De forma a atenuar estes riscos externos, o FMI aconselha o Governo de Macau a aumentar o investimento público, de forma a diversificar a economia do território.
Em finais de julho, o FMI estimou que Macau registe em 2020 o maior rendimento ‘per capita’ do mundo, destronando o Qatar.
Os dados divulgados pelo FMI a 27 de julho indicam que Macau apresenta neste momento um rendimento ‘per capita’ de 105 mil euros, só ultrapassado pelo Qatar, com 111 mil euros.
Em 2020, o rendimento ‘per capita’ de Macau deverá subir para os 124 mil euros, quase o triplo da média das economias mais avançadas como a Austrália, Estados Unidos, Áustria, Reino Unido e China continental.

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