No mês passada a produção industrial e as vendas a retalho no Continente voltaram a cair, uma tendência que reflecte o impacto das disputas comerciais entre Washington e Pequim. Os analistas esperam que o ritmo de crescimento da economia chinesa volte a desacelerar no derradeiro trimestre do presente ano.
As vendas a retalho e produção industrial na República Popular da China continuaram a desacelerar emNovembro, de acordo com dados oficiais esta sexta-feira divulgados, reflectindo o impacto das crescentes disputas comerciais com os Estados Unidos da América.
O aumento das vendas a retalho, o principal indicador do consumo privado, recuou para 8,1 por cento, o ritmo mais lento desde Maio de 2003, depois de se ter fixado nos 8,6 por cento,em Outubro último.
Os dados, divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas, sugerem que o recorde de vendas do comércio electrónico, durante o dia dos solteiros, que se celebra a 11 de Novembro na China, não compensa a quebra noutros sectores, nomeadamente as vendas no sector automóvel, que caíram 16,1 por cento, em termos homólogos.
A produção industrial, outro importante indicador da segunda maior economia mundial, aumentou 5,4 por cento, em Novembro, face ao mesmo mês do ano passado, depois de ter subido 5,9 por cento, em Outubro. Foi a menor subida dos últimos dez anos.
A produção industrial é utilizada pelas estatísticas chinesas para medir a actividade das grandes empresas, com receitas anuais superiores a 20 milhões de yuan (2,5 milhões de euros).
O investimento em activos fixos foi o único indicador positivo, com um crescimento de 5,9 por cento, entre Janeiro e Novembro, depois de se ter fixado nos 5,7 por cento, nos primeiros dez meses do ano.
Os dados revelam que o crescimento da segunda maior economia do mundo deve abrandar no último trimestre do ano, depois de se ter fixado nos 6,5 por cento, no terceiro trimestre, o ritmo mais baixo dos últimos dez anos.
Analistas prevêem que a economia chinesa registe um declínio acentuado, ao longo da primeira metade do próximo ano, reflectindo o pleno efeito das taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos da América.
O Governo chinês vai definir na próxima semana as prioridades da política económica para 2019, esperando-se que fixe o déficit orçamental acima do valor para este ano, de 2,6 por cento, e mais reduções fiscais e flexibilização da política monetária.
A ascensão ao poder de Donald Trump nos EUA ditou o despoletar de disputas comerciais, com os dois países a aumentarem as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.
A liderança norte-americana teme perder o domínio industrial global, à medida que Pequim tenta transformar as firmas estatais do país em importantes actores em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

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