China torna-se no terceiro país a extrair rocha das profundezas oceânicas

Fotografia: NOAA/Unsplash

A China tornou-se o terceiro país a obter amostras de rocha de águas profundas, graças ao seu navio-sonda Mengxiang. A embarcação concluiu recentemente a sua primeira missão no Mar do Sul da China. O avanço agora alcançado pode facilitar descobertas que ajudem a solucionar questões ainda em aberto sobre a formação e a evolução da bacia oceânica.

O navio regressou recentemente a Cantão após uma expedição científica piloto de trinta dias, durante a qual extraiu uma amostra de basalto com 4,27 metros de comprimento, informou o Ministério dos Recursos Naturais da República Popular da China.

A operação coloca a China ao lado dos Estados Unidos e do Japão como os únicos países que obtiveram amostras de rocha dura de uma bacia oceânica profunda com recurso a navios-sonda, de acordo com o jornal Global Times.

Durante a missão, as equipas de extracção atingiram uma profundidade total de 4.929,17 metros a partir da superfície do mar, com uma penetração de 864,77 metros abaixo do leito marinho, o que constitui um recorde chinês de perfuração realizada com meios próprios.

Os trabalhos incluíram perfurações e recolha de amostras em dois locais, segundo o  jornal Diário de Ciência e Tecnologia.

As análises preliminares das amostras indicam a ocorrência de erupções vulcânicas de grande escala após um deslocamento do eixo de expansão do fundo oceânico no Mar do Sul da China, de acordo com o jornal especializado. Este fenómeno ocorre quando a zona onde as placas tectónicas se separam — e onde o magma gera nova crosta — abandona a sua localização original e se estabelece noutra. As amostras permitirão estudar o papel deste processo e do vulcanismo na transformação do fundo marinho.

O investigador Sun Zhen, do Serviço Geológico Marinho de Cantão, explicou, em declarações reproduzidas pelo Global Times, que a “dureza excepcional” do basalto e a sua tendência para se partir dificultam tanto a perfuração como a extracção das amostras. A expedição utilizou ainda dois veículos operados remotamente, que acumularam mais de 358 horas de trabalho a 4.000 metros de profundidade.

O Mengxiang – cujo nome significa “sonho” em mandarim –  entrou ao serviço em Novembro de 2024 e tem capacidade para perfurar até uma profundidade total de 11 quilómetros a partir da superfície marinha, um quilómetro mais do que o navio japonês Chikyu, que detém até ao momento o recorde mundial neste tipo de perfuração.

Entre os objetivos futuros do navio chinês está o de alcançar a descontinuidade de Mohorovicic, conhecida como “Moho”, que marca o limite entre a crosta terrestre e o manto e se situa entre os cinco e os sete quilómetros abaixo do fundo oceânico.

De acordo com o jornal South China Morning Post, que cita uma carta de investigadores do Serviço Geológico da China publicada na Nature Geoscience, as missões para perfurar em direcção a esta meta sob os oceanos Índico ou Pacífico deverão começar antes de 2030.

As amostras desta região poderão fornecer informações sobre a formação da crosta, a tectónica de placas e a evolução do planeta.

Além disso, no contexto da competição científica e tecnológica entre os Estados Unidos e a China, o jornal recorda que o navio de perfuração norte-americano Joides foi retirado de serviço no ano passado.

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