A possibilidade da República Popular da China poder vir a integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa na qualidade de membro observador foi abordada por Maria do Carmo Silveira, numa entrevista concedida à agência Lusa. A secretária-executiva da CPLP passa o testemunho ao português Francisco Ribeiro Telles no final do mês.
A secretária-executiva da Comunidade dos Países de LínguaPortuguesa, Maria do Carmo Silveira, disse esta quarta-feira que a organização gostaria de ter a República Popular da China na sua lista de países observadores associados, considerando ser “bem possível” que isso venha a acontecer.
“Todos temos assistido ao grande interesse que aRepública Popular da China tem manifestado relativamente aos países de língua portuguesa. A China é hoje um parceiro extremamente importante para os países africanos de língua portuguesa, e não só”, disse, em entrevista à agência Lusa, Maria do Carmo Silveira, que a 31 de Dezembro termina o seu mandato como secretária-executiva da CPLP, sendo substituída pelo português Francisco Ribeiro Telles.
Quando questionada sobre uma eventual possibilidade de aChina poder vir a ser um observador associado da CPLP, respondeu: “Quem sabe… É bem possível. Acho que a CPLP veria com muitos bons olhos essa possibilidade. A China seria muito bem-vinda como observador associado”.
Sobre se a China já manifestou esse interesse, Maria do Carmo Silveira disse não ter ainda “qualquer indicação neste sentido”, mas acrescentou: “Nunca se sabe quando é que as coisas podem aparecer”.
Actualmente, a CPLP tem 19 países como observadores associados.
O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, prometeu, durante a sua visita a Portugal no início de Dezembro, o reforço dos projectos existentes com Portugal e defendeu o multilateralismo, o livre comércio e a paz, numa declaração conjunta com o primeiro-ministro português,António Costa: “O funcionamento bilateral encontra-se no seu melhor momento histórico. Em 2019, quando se celebram 40 anos das relações bilaterais, vamos aprofundar a amizade e cooperação e levar a nossa parceria estratégica global para um novo patamar”, assinalou Xi Jinping no Palácio de Queluz, onde foi recebido pelo primeiro-ministro português, membros do Governo, empresários e académicos.
Na altura, afirmou ainda que “as duas partes vão empenhar-se na promoção e aprofundamento da parceria estratégica global entre aRepública Popular da China e a Europa, reforçar o apoio à cooperação nas organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas, salvaguardar conjuntamente o multilateralismo, o livre comércio, promover a paz,desenvolvimento, estabilidade e prosperidade mundiais”.
Para 2019, quando se celebram 40 anos das relações bilaterais, Xi Jinping prometeu um aprofundamento da amizade e cooperação.
Prometeu também elevar a “parceria estratégica global para um novo patamar”, em particular no âmbito da Faixa Económica da “Rota da Seda” e da iniciativa relativa à “Rota da Seda Marítima” do século XXI.
A China anunciou em 2010 a criação do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, dotado de 1.000 milhões de dólares (879 milhões de euros, ao câmbio actual).
Da dotação global do fundo, 200 milhões de dólares destinam-se a fundos de capital, enquanto os restantes 800 milhões a empréstimos e financiamento de projectos lusófonos para a construção de infra-estruturas,transportes, comunicações, energia, agricultura e recursos naturais, entre outros domínios do interesse comum da República Popular da China e do mundo lusófono.
A gestão é feita pelo Fundo de Desenvolvimento China-África, na dependência do Banco de Desenvolvimento da China.
Os projectos a apoiar pelo fundo devem promover o desenvolvimento económico local e melhorar a qualidade de vida das populações.
Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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