O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, acusou o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, de violar um acordo de confidencialidade ao revelar o envio, para o país asiático, de dois prisioneiros de guerra norte-coreanos. Os militares terão sido capturados por Kiev no contexto da participação norte-coreana na invasão russa da Ucrânia.
“Desconheço as circunstâncias concretas que levaram o lado ucraniano a romper o acordo e a tornar pública a informação. A situação é profundamente lamentável”, afirmou o presidente sul-coreano numa mensagem publicada no seu perfil na rede social X, na quinta-feira.
As declarações ocorreram depois de Zelensky ter revelado, esta semana, no seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, que o seu país tinha enviado para a Coreia do Sul os dois prisioneiros de guerra norte-coreanos capturados em 2025 enquanto combatiam ao lado do Exército russo na região de Kursk.
Lee salientou que “os assuntos de Estado devem ser geridos em benefício da nação e do seu povo” e “não motivados por interesses ou pela popularidade do regime governante ou daqueles que detêm o poder”: “É uma questão de grande sensibilidade, com importantes repercussões para a diplomacia, a segurança nacional e a situação na Península Coreana”, declarou. Perante os “vários problemas que uma divulgação pública poderia ter acarretado, manter o assunto em segredo foi a decisão mais sensata”, acrescentou.
Neste sentido, declarou que “aqueles que põem em risco vidas humanas e a segurança nacional em prol de um benefício pessoal mesquinho são apelidados de assassinos ou traidores”, razão pela qual “é incorrecto criticar medidas adoptadas em segredo que são, ao mesmo tempo, válidas e justificadas”.
Por fim, disse esperar que “cheguem em breve ao fim as guerras desumanas que deixam inúmeros mortos e feridos, e que arrasam tudo pelo caminho”. Os soldados norte-coreanos tinham manifestado o desejo de ir para a Coreia do Sul, tanto em cartas manuscritas divulgadas em Dezembro como numa entrevista ao jornal sul-coreano Chosun Ilbo, enquanto a Rússia terá solicitado o seu repatriamento no contexto de trocas de prisioneiros, segundo o legislador sul-coreano Yu Yong-weon.
O governo da Coreia do Sul sustenta que os soldados norte-coreanos são considerados constitucionalmente cidadãos sul-coreanos e que aceitaria qualquer prisioneiro de guerra que desejasse ir para Seul.
A questão, no entanto, envolve grande complexidade diplomática para a política de distensão de Lee em relação a Pyongyang, que poderia interpretar a medida como uma traição por parte dos soldados.

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