Taiwan. Arranca exercício militar de dez dias

Fotografia: Kaizer Bienes/Unsplash

O Exército de Taiwan deu, esta quarta-feira, início a dez dias de exercícios militares no norte da ilha, região onde se situa a capital, Taipé. As manobras visam simular combates contínuos, de dia e de noite, para treinar a «defesa prolongada» do território perante um hipotético cenário de invasão por parte da República Popular da China.

Denominado Lu Sheng, o exercício decorre até 23 de Outubro e envolve duas brigadas: a 269.ª Brigada de Armas Combinadas, sediada em Taoyuan, no norte da ilha, e a 564.ª Brigada, com base em Kaohsiung, no sul da Formosa. O primeiro dia de manobras é dedicada ao destacamento operacional das tropas, testando a capacidade de resposta a incidentes e a preparação de operações ofensivas e defensivas, conforme detalhou o general de brigada Lin Shih-wei.

De acordo com o Ministério da Defesa de Taiwan, o plano centra-se em operações de «resistência escalonada e defesa prolongada», desenrolando-se sem interrupção durante as 24 horas do dia. O objectivo do Ministério é aproximar os soldados de cenários reais de combate, reforçando a sua resistência operacional e capacidade táctica.

O conceito de defesa prolongada assenta na premissa de que, perante uma eventual invasão militar chinesa, Taiwan deve não só tentar impedir o desembarque nas praias, mas também estabelecer sucessivas linhas de defesa no interior do território para desgastar as forças inimigas e prolongar o conflito ao máximo.

Ao longo dos dez dias, as tropas envolvidas vão recorrer a sistemas de comando e controlo, drones de reconhecimento e ataque, e novo equipamento militar — como os tanques de combate M1A2T Abrams de fabrico norte-americano — de forma a validar a sua aplicação táctica no terreno.

Os exercícios Lu Sheng foram introduzidos em 2025, altura em que as forças armadas unificaram sob a mesma denominação os vários simulacros regionais ao nível de brigada. Na sua edição de estreia, a manobra teve a duração de sete dias e seis noites.

A aposta em cenários de combate realistas e sem guião prévio insere-se no esforço do Governo taiwanês para responder ao suposto aumento da pressão militar da China, que não descarta o uso da força para assumir o controlo da ilha, governada de forma autónoma desde 1949. O exercício deste ano coincide também com manobras militares chinesas, com fogo real, que decorrem desde o início da semana, ao largo da costa continental até 20 de Outubro.

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