A China e os Estados Unidos vão reduzir as tarifas recíprocas sobre determinados produtos no valor aproximado de 30 mil milhões de dólares de parte a parte. Entre as mercadorias abrangidas pela medidas estão desde brinquedos e electrodomésticos chineses até carne, cereais, carvão e equipamento médico norte-americano, de acordo com os detalhes divulgados esta segunda-feira por Pequim.
O acordo constitui um dos principais resultados da oitava ronda de consultas económicas e comerciais, realizada entre 20 e 23 de Setembro em Nova Iorque e Washington. As negociações antecederam o encontro na capital norte-americana entre os presidentes de ambas as potências, Xi Jinping e Donald Trump.
De acordo com o Ministério do Comércio da China, mais de 90 por cento dos produtos incluídos no pacote ficarão isentos de tarifas adicionais impostas mutuamente, passando a tributar apenas ao nível da «nação mais favorecida» logo que ambos os países concluam os respectivos procedimentos internos.
No âmbito do entendimento, os Estados Unidos vão baixar as taxas sobre 77 tipos de mercadorias chinesas, incluindo brinquedos, electrodomésticos, artigos para bebés, utensílios de cozinha, cobertores, termos, material de pesca e decorações natalícias.
Por seu lado, a China incluiu 1.619 tipos de produtos norte-americanos, com forte incidência no sector agroalimentar, nomeadamente carne de bovino e de porco, aves, peixe, laticínios, milho, trigo, sorgo, fruta e produtos hortícolas. Contudo, a lista de Pequim exclui soja em grão para consumo, embora abranja sementes de soja e alguns derivados.
O catálogo chinês estende-se ainda a artigos de cuidado pessoal, carvão e diversos dispositivos médicos e de saúde, tais como equipamentos de ressonância magnética, instrumentos cirúrgicos, robots cirúrgicos, aparelhos auditivos e pacemakers.
O Ministério do Comércio chinês sublinhou que a selecção dos bens obedeceu às respectivas «necessidades de mercado e interesses industriais», perspectivando que as reduções dinamizem as exportações chinesas para o mercado norte-americano e respondam, em simultâneo, à procura interna na China.
A gestão da medida será assegurada através do recém-criado Conselho de Comércio bilateral, cuja primeira missão consistirá em desenvolver este enquadramento pautal. O organismo conta também com um grupo de trabalho agrícola com reunião inaugural prevista para antes do final deste ano.
Paralelamente, Pequim confirmou expressamente a prolongamento até 10 de Janeiro da trégua comercial que expirava a 10 de Novembro, formalizando assim uma extensão que Washington já tinha anunciado aquando da visita de Xi Jinping.

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