A Escola Portuguesa de Macau vai dispor de um novo auditório que possa servir não apenas o estabelecimento de ensino, mas também a população. A novidade foi avançada à emissora em língua portuguesa da Rádio Macau pelo responsável pelo projecto de ampliação do edifício, o arquitecto Carlos Marreiros. A empreitada de expansão da estrutura foi na quarta-feira aprovada pelo Conselho de Planeamento Urbanístico.
Uma das novidades da planta de condições urbanísticas tal como foi sancionada pelo organismo é a edificação de um novo auditório, maior e mais ambicioso, disse Carlos Marreiros à Rádio Macau.
“[Vai ser construído] “um novo auditório que possa servir a escola, os pais e alunos e que também possa servir a população, ou organizações que queiram utilizar um auditório naquela zona central de Macau”, adiantou o arquitecto responsável pela obra, à margem do Jantar da Primavera – inicialmente adiado por causa do novo coronavírus – da Associação dos Macaenses.
De acordo com a Rádio Macau, deverão ser necessários três anos e meio para que a obra de expansão da Escola Portuguesa de Macau esteja concluída. A intervenção, que não pressupõe alterações ao corpo original do edifício, da autoria de Raul Chorão Ramalho, pressupõe a edificação de uma torre com cinquenta andares, qualificada por Carlos Marreiros como “de baixa altura”: “A nossa ideia é isolar num bloco. Uma torre de baixa altura, naquele conjunto em que há torres de setenta e tal metros de altura, uma torre de cinquenta metros não é nada”, defende o arquitecto.
A intervenção mereceu críticas por parte da Docomomo, uma associação internacional ligada à defesa do património modernista que em Macau é representada pelo também arquitecto Rui Leão. A organização considera que a torre vai desvirtuar o conjunto original, da autoria de um dos maiores expoentes da arquitectura modernista em Portugal.
A Docomomo pediu às autoridades do território mais um mês para apresentar um relatório sobre a expansão da estrutura. Na quarta-feira, a Directora dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Chan Pou Ha, garantiu que a carta a associação enviou ao Governo não contém considerações de natureza técnica: “Esta carta que recebemos [da Docomomo] não contém opiniões técnicas. E mesmo que sejam técnicas, se forem apresentadas após o período de consulta, não podemos esperar. Temos de seguir os trabalhos segundo as circunstâncias enunciadas na lei. São sempre bem-vindos a apresentar opiniões nos termos da lei, mas fora desse prazo legal não podemos fazer”, disse a responsável, citada pela Rádio Macau.

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