Os tibetanos apoiam os manifestantes pró-democracia que nos últimos três meses têm ocupado diariamente as ruas de Hong Kong, garantiu Thubten Wangchen, membro do parlamento tibetano no exílio. Wangchen ressalvou, ainda assim, que o carácter pacífico dos protestos tem de prevalecer.
“Desde Dharamsala, o governo e o parlamento no exílio, as associações tibetanas, as associações de jovens, as associações de mulheres, todos os tibetanos estão solidários com o desejo pacífico dos activistas de Hong Kong”, afirmou em entrevista à agência Lusa o monge budista que esteve na terça-feira em Lisboa no âmbito de um périplo por cerca de 30 países europeus.
“Todos aqueles que se expressam através de meios e de fins pacíficos de manifestação, desde que sejam assim, iremos apoiar”, reforçou Thubten Wangchen, que desde 2011 é membro do parlamento tibetano no exílio.
Thubten Wangchen não esconde o seu receio em relação a uma eventual intervenção mais musculada por parte das forças chinesas contra os protestos de Hong Kong, alertando para o perigo dos activistas, maioritariamente jovens, cederem à emoção: “Espero que isso não aconteça, mas nunca sabemos. Se o governo chinês não procurar agora uma solução, os jovens chineses em Hong Kong podem tornar-se ainda mais emocionais, mais zangados. E tudo tem um limite. Se eles ultrapassarem o limite, poderá ocorrer violência e aí será tarde de mais”, referiu o representante. Thubten Wangchen defendeu a via “de um diálogo realizado frente-a-frente” e “da procura de uma solução pacífica”.
“Deixo esta mensagem (…) aos jovens, aos estudantes, por favor continuem com a vossa luta, com a vossa coragem, exijam os vossos direitos, mas nunca usem, por favor, a violência e armas contra os militares chineses, contra o governo chinês”, destacou.
A viver há vários em Barcelona, Thubten Wangchen disse que quando aborda a causa tibetana, “a defesa de uma autonomia genuína da China”, não se esquece das realidades que marcam regiões como Hong Kong, Mongólia e Taiwan ou as diversas minorias presentes no território chinês, caso da etnia muçulmana uigure, maioritária no Xinjiang, vasta região no noroeste da República Popular da China.
“Hong Kong também não está a pedir a independência. Eles aceitam a China, mas querem mais democracia, mais liberdade, mais direitos humanos. O mesmo que Taiwan. (…) As expectativas do Tibete, Taiwan e Hong Kong são muito similares”, indicou.
Hong Kong, antiga colónia britânica, está a atravessar a sua pior crise política desde o regresso à soberania chinesa, em 1997. Nos últimos três meses, o território vizinho tem sido palco de manifestações quase diárias que muitas vezes têm degenerado em confrontos entre as forças policiais e activistas mais radicais.
Iniciada em Junho contra um projecto de lei de alteração, entretanto suspenso, à lei da extradição (que visava permitir extradições para Pequim), a contestação nas ruas generalizou-se e ampliou as suas reivindicações, denunciando agora o que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” e uma ingerência da China nos assuntos internos daquele território.

Leave a Reply