Tung Chee-hwa, que fez história como o primeiro líder de Hong Kong após a transferência de soberania da antiga colónia para a República Popular da China, em 1997, morreu na terça-feira, 8 de Setembro, aos 89 anos.
De acordo com um comunicado oficial do seu gabinete, o antigo governante faleceu pacificamente no Hong Kong Sanatorium, rodeado pelos familiares mais próximos.
Nascido em Xangai em 1937, Tung era filho de um magnata dos transportes marítimos caído em desgraça e mudou-se com a família para Hong Kong aos 12 anos. Formado em engenharia naval pela Universidade de Liverpool, assumiu o controlo dos negócios da família antes de ser escolhido por um painel de elites pró-Pequim para liderar o território após o fim da presença britânica.
O seu mandato de quase oito anos como Chefe do Executivo —de 1 de julho de 1997 até Março de 2005 — ficou marcado por desafios económicos e políticos sem precedentes, no que se prefigurou como o primeiro grande teste ao princípio “Um País, Dois Sistemas”. Logo no início do seu consulado, a cidade enfrentou os impactos da crise financeira asiática e o surto inicial do vírus da gripe aviária em humanos, sendo mais tarde severamente testada pela epidemia de SARS em 2003.
Embora elogiado pela sua intensa ética de trabalho, o seu estilo de governação enfrentou forte contestação pública. A oposição à tentativa de introduzir a lei de Segurança Nacional e as crescentes exigências por sufrágio universal culminaram em massivas manifestações populares em 2003 e 2004.
Tung acabou por se demitir em Março de 2005, a meio do seu segundo mandato, invocando razões de saúde, embora analistas internacionais tenham frequentemente apontado a pressão política e a perda de apoio de Pequim como factores determinantes para a demissão.
Após abandonar o cargo de Chefe do Executivo, manteve-se activo na esfera pública como figura de proa do establishment. Tung exerceu funções como vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e recebeu condecorações estatais das mãos do presidente Xi Jinping em 2019 pelo seu contributo para a soberania e estabilidade do país. Nos últimos anos, devido à degradação do seu estado de saúde, encontrava-se totalmente afastado da vida pública.

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