PISA. Resultados revelam queda histórica no rendimento escolar

Fotografia: Artturi Jalli/Fotografia

Os alunos dos países e regiões avaliados pelo relatório PISA – Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes – registaram o “pior nível médio de desempenho já observado”, de acordo com o resultado do estudo, publicado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. A OCDE alerta para uma deterioração “especialmente preocupante” no domínio da leitura. Macau está entre as honrosas excepções, mas o panorama já foi melhor.

A nova edição do programa de avaliação internacional, considerado um dos principais termómetros mundiais dos sistemas educativos, analisou as competências de quase 760.000 estudantes de 15 anos em 91 países e territórios em ciências, leitura e matemática.

Tal como sucedeu nas edições anteriores, a Ásia dominou a classificação. As regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang ocuparam as primeiras posições em ciências e matemática, enquanto Singapura liderou em leitura. Macau, Taiwan, Japão e Coreia do Sul completaram as posições de destaque.

No caso da América Latina, não há um único país latino-americano entre os melhores posicionados nas três disciplinas avaliadas, embora alguns – como o Uruguai, a Costa Rica e El Salvador – tenham melhorado os seus resultados em ciências em comparação com o relatório anterior, publicado há três anos.

A OCDE advertiu, no entanto, que o panorama geral é preocupante “Os resultados em ciências permanecem aproximadamente estáveis, mas há uma queda de mais de 20 pontos nos domínios da leitura e da matemática”, afirmou Éric Charbonnier, especialista em educação. De acordo com a OCDE, uma variação de 20 pontos equivale a aproximadamente um ano de escolarização.

Entre 2015 e 2025, as pontuações em ciências registraram uma queda de sete pontos em média nos países da organização. Em matemática, a queda chegou a 22 pontos, contra oito pontos no restante dos sistemas educacionais avaliados.

Queda “preocupante” no domínio da leitura

A queda foi ainda mais acentuada no âmbito da leitura. As conclusões dão conta de uma queda de 28 pontos nos países da OCDE durante a última década, contra 16 pontos nos restantes países e territórios que se submeteram ao exame.

A organização considera o retrocesso “especialmente preocupante” porque a leitura constitui a base da maioria das aprendizagens escolares, como “resolver um problema de álgebra, analisar uma fonte histórica ou interpretar uma experiência científica”.

Para explicar a tendência, a OCDE menciona vários factores, incluindo o uso crescente de ecrãs, a perda de interesse pela leitura entre os jovens e as mudanças na relação dos estudantes com a escola desde a pandemia de Covid-19.

O relatório do Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes (PISA) também examinou o uso da inteligência artificial em sala de aula. A OCDE constatou que um uso mais intensivo destas ferramentas costuma estar associado a resultados piores em ciências.

No entanto, alguns dos sistemas educacionais mais bem-sucedidos, como Singapura e Macau, figuram entre aqueles cujos alunos declaram utilizar a Inteligência Artificial com maior frequência.

Na América Latina, Uruguai e Chile voltaram a figurar entre os sistemas educacionais mais bem posicionados da região, com 445 e 442 pontos, respectivamente, em ciências, embora ambos continuem muito abaixo dos líderes asiáticos.

Na Europa, Estónia, Reino Unido, Finlândia e Irlanda destacaram-se e apresentaram resultados acima da média da OCDE, assim como o Canadá e Nova Zelândia:  “O panorama geral é sombrio”, reconheceu o organismo. A OCDE ressalva, ainda assim, que os dados demonstram que as melhorias continuam a ser possíveis apesar do retrocesso global observado na última década.

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