Malásia. Ex-primeiro-ministro cumpre resto da pena em prisão domiciliária

O antigo primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, condenado a pena de prisão por múltiplos crimes de corrupção relacionados com o escândalo do fundo soberano 1MDB, pagou uma multa de 12,3 milhões de dólares na sexta-feira. A coima faz parte dos termos de um perdão real que vai permitir que o antigo governante cumpra o resto da pena em prisão domiciliária.

De acordo com várias investigações judiciais, foram desviados até 4,5 mil milhões de dólares do 1MDB, um dos maiores casos de desvio de fundos soberanos da história. Conhecido como o “golpe do século”, o crime foi orquestrado pelo próprio ex-primeiro-ministro, de 73 anos.
Em Setembro passado, o Rei da Malásia concedeu a Najib, que cumpre uma pena de 12 anos de prisão desde 2022, um “indulto parcial” que lhe permite cumprir o resto da pena em prisão domiciliária até Agosto de 2028, desde que pague uma multa de aproximadamente 12 milhões de dólares.
O antigo governante foi condenado por sete crimes de corrupção relacionados com o fundo 1Malaysia Development Berhad (1MDB), depois de ter sido considerado culpado de desviar 42 milhões de ringgits (8,7 milhões de euros) da SRC International, uma subsidiária da 1MDB, para as suas contas pessoais.
Em comunicado, a Organização Nacional dos Malaios Unidos (UMNO), partido pelo qual Najib governou entre 2009 e 2018, indicou esta sexta-feira que concluiu o reembolso, com dinheiro angariado através de uma campanha de angariação de fundos lançada a 18 de Setembro, quando o rei da Malásia, Ibrahim Iskandar, autorizou o perdão parcial.
Em anos recentes, o monarca tinha falado da sua amizade com Najib, que também mantém influência no actual governo através de dirigentes da UMNO que controlam as pastas da Defesa e dos Assuntos Jurídicos na coligação liderada pelo primeiro-ministro Anwar Ibrahim.
No seu comunicado, a UMNO agradeceu aos seus membros os donativos, sem especificar as contribuições individuais, e anunciou o encerramento da conta bancária criada para o efeito.
Em conferência de imprensa, o advogado de Najib, Muhammad Farhan, afirmou que o tribunal tinha emitido uma ordem de prisão domiciliária para o antigo governante, de 73 anos, e que esperavam entregá-la a Najib na prisão esta sexta-feira, segundo a agência de notícias estatal Bernama.
O político, que em 2022 se tornou o primeiro chefe do Governo da Malásia a ser preso, mantém a sua inocência e alega que os fundos encontrados nas suas contas vieram de donativos de um príncipe saudita.
Além da Malásia, outros países, incluindo os Estados Unidos, a Suíça e Singapura, estão a investigar o desvio de fundos do 1MDB, cujo esquema de corrupção veio a público em 2015, quando uma investigação jornalística expôs o desvio de milhões de dólares.
De acordo com várias investigações judiciais, 681 milhões de dólares dos 4,5 mil milhões desviados foram parar às contas do ex-dirigente, num escândalo que envolve também o seu sócio, o empresário foragido Jho Low, e que implica estrelas como Leonardo DiCaprio e Miranda Kerr devido a presentes que Low lhes terá dado. 

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