Egipto. Influenciadora brasileira detida por “actos pornográficos”

Fotografia: Malévola/Instagram/Direitos Reservados

As autoridades egípcias detiveram uma criadora de conteúdos brasileira e a sua acompanhante na cidade de Alexandria, no norte do Egipto. As duas mulheres são acusadas de praticar “actos exibicionistas pornográficos” em público, entre outras acções.

O Ministério egípcio da Administração Interna confirmou que, depois de analisar “vídeos que circulavam nas redes sociais”, conseguiu “identificar e deter as duas mulheres que aparecem nos vídeos em Alexandria”, de acordo com um comunicado.

Nos vídeos, que foram partilhados pela própria influenciadora nas redes sociais, as duas turistas aparecem “a praticar actos exibicionistas pornográficos, a fazer investidas sexuais e a assediar peões em várias ruas de diferentes províncias”.

Ambas, de acordo com a nota de imprensa, “confessaram ter cometido os actos descritos e admitiram ter gravado e partilhado os vídeos nas suas redes sociais para aumentar a sua audiência”.

As autoridades egípcias acrescentam que “os procedimentos legais foram iniciados e o Ministério Público assumiu a investigação”, embora ainda não haja informações sobre se as duas mulheres serão deportadas ou se enfrentarão outras acusações.

Na publicação, o Ministério divulgou um vídeo onde mostra vários excertos das duas mulheres a dançar twerk dentro de uma carrinha e a andar de mota, seguido de fotos das duas detidas.

Embora o ministério não tenha identificado a criadora de conteúdos, trata-se de Mariana Alves Gadelha Pereira, conhecida publicamente como Malévola. A assessoria de imprensa e a sua equipa jurídica da brasileira confirmaram a detenção da influenciadora no Egipto.

Fotografia: Malévola Alves/Instagram/Direitos Reservados

A assessoria afirmou em comunicado que “a equipa de defesa da influenciadora já está em contacto com a Embaixada do Brasil no Cairo — que ainda não emitiu um comunicado público — e com as autoridades competentes para acompanhar o caso e garantir que os seus direitos e integridade física são respeitados”. Os representantes de Malévola pediram ainda “cautela na divulgação de informações não confirmadas”.

Desde o ano passado, as autoridades egípcias retomaram uma campanha de detenções contra os criadores de conteúdos no TikTok e noutras plataformas, resultando em mais de uma centena de detenções.

A Iniciativa Egípcia para os Direitos da Pessoa (EIPR) documentou esta campanha, iniciada em 2020, e afirma que, inicialmente, visava principalmente mulheres que publicavam vídeos de dança nas redes sociais, mas posteriormente expandiu-se para incluir outros criadores de conteúdos e indivíduos acusados ​​de divulgar opiniões consideradas contrárias aos valores sociais ou religiosos.

As organizações de defesa dos direitos humanos questionaram particularmente a utilização do artigo 25.º da Lei dos Cibercrimes, que inclui uma cláusula relacionada com os “valores familiares”, e alertaram que esta disposição tem sido cada vez mais aplicada contra os cidadãos pelas suas publicações online.

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*


This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.