O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, enfatizou esta semana o compromisso do país com uma nova rota comercial para a Europa através do Árctico. A posição foi veiculada depois de um navio porta-contentores sul-coreano ter concluído com sucesso a travessia pela primeira vez.
Numa cerimónia em Busan para celebrar o marco, Lee afirmou que o país “tomará medidas para abrir a rota do Oceano Árctico com a confiança da comunidade internacional”, segundo declarações divulgadas pela agência de notícias Yonhap: “Esforçar-me-ei por garantir que a nova rota não beneficie exclusivamente nenhum país, mas sim que conduza à prosperidade mútua”, declarou o governante.
O projecto suscitou preocupações devido à possibilidade de permitir à Rússia, que controla grande parte da região, minimizar o impacto das sanções internacionais impostas pela invasão da Ucrânia.
O navio porta-contentores PanStar Acro, com capacidade para 2.758 TEU (unidades equivalentes a vinte pés), regressou no domingo à cidade sul-coreana de Busan, depois de ter atravessado o Oceano Árctico sobre a Rússia e feito escalas no Reino Unido, na Holanda e na Polónia, numa viagem de 50 dias.
A Carta Marítima da Coreia do Sul pode apresentar um plano que visa utilizar esta viagem de teste como um primeiro passo para estabelecer um serviço regular ao longo da rota do Ártico até 2030.
O plano do governo visa revitalizar Busan, a segunda maior cidade da Coreia do Sul, e outras localidades do sul do país, transformando-as num centro marítimo global e conseguindo ligações comerciais mais eficientes entre a Ásia e a Europa.
Após o início da guerra em Gaza, em 2023, os rebeldes houthis do Iémen lançaram ataques contra navios mercantes no Mar Vermelho para prejudicar economicamente Israel, fazendo com que inúmeras embarcações evitassem o Canal do Suez, uma importante rota marítima entre a Ásia e a Europa.
A crise aumentou os custos de transporte marítimo e levou muitos navios a desviarem as suas rotas para evitar a região, embora algumas empresas tenham começado a retomar gradualmente o trânsito através do Canal do Suez este ano, sob condições de segurança reforçadas.

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