China vai “moderar” exportação de veículos híbridos para a União Europeia

Pequim e Bruxelas chegaram a um acordo, nesta sexta-feira, para “moderar” as exportações chinesas de veículos híbridos para o mercado europeu. O anúncio foi feito pelo comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic. 

O acordo foi anunciado após uma reunião em Pequim entre Sefcovic e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, depois de meses de tensões crescentes entre as duas partes. O diferendo foi alimentado pelo forte déficit comercial europeu com a China e por acusações de práticas comerciais desleais.

O sector automotivo foi um dos principais temas das negociações, num contexto marcado pela preocupação europeia com a chegada de veículos chineses de menor custo, que exercem forte pressão sobre os fabricantes do bloco.
Segundo Sefcovic, o entendimento permitirá “moderar as exportações chinesas de veículos híbridos e híbridos plug-in para a UE”: “Isso abre a perspectiva de reduzir em mais da metade as exportações chinesas” nos próximos quatro anos, declarou à imprensa.
A principal organização do sector automóvel europeu recebeu bem o acordo e classificou-o como “um passo positivo para aliviar as tensões comerciais”: “É um primeiro passo crucial, mas apenas o primeiro no processo de reequilíbrio” comercial entre a UE e a China, disse Sefcovic, na mesma linha.
O Comissário também alertou que, caso o diálogo não produza resultados suficientes, Bruxelas tenciona recorrer aos seus instrumentos comerciais para corrigir esses desequilíbrios.
No entanto, o gigante asiático advertiu que reagirá caso sejam adoptadas medidas contrárias aos seus interesses.
O déficit comercial da UE com a China gira atualmente em torno de mil milhões de euros por dia.
Como parte dos acordos alcançados, Pequim também aceitou aplicar tarifas reduzidas a uma série de produtos europeus, incluindo peças para a indústria automóvel e azeite, entre outros, detalhou o comissário europeu.
Além disso, a China comprometeu-se a continuar a facilitar a aprovação de licenças para matérias-primas consideradas estratégicas para diversas indústrias.
Embora ambas as partes tenham reconhecido a persistência de divergências, concordaram em manter o diálogo e realizar uma nova rodada de negociações em Março.

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