Várias empresas e uma universidade no Japão foram atingidas nos últimos dias por uma série de ataques cibernéticos, fugas de dados e ataques de ransomware que afectam potencialmente milhões de pessoas no arquipélago. Novos casos foram divulgados esta terça-feira, com o Governo a manifestar-se preocupado com a escala dos incidentes.
A Mr Max Holdings – um importante grupo empresarial japonês que opera uma cadeia de lojas de desconto – reconheceu esta terça-feira, em comunicado, que podem ter sido divulgados dados de mais de um milhão e de clientes, expondo nomes, endereços de correio electrónico e números de telefone.
A empresa afirmou ter detectado um “acesso suspeito” à sua base de dados no passado sábado e suspendeu os serviços da sua plataforma enquanto investiga o sucedido com o auxílio de especialistas externos e da polícia japonesa.
A fabricante de relógios Citizen Watch deu conta, por sua vez, da fuga de dados de 100 mil clientes — incluindo, possivelmente, informações de cartões de crédito e contas bancárias — e a Universidade Pública de Osaka afirmou estar a investigar um ataque “massivo de ransomware” ocorrido na passada sexta-feira, sem indicar quantas pessoas poderão ter sido afectadas.
Os casos hoje reportados são os mais recentes de uma série de ataques distintos. Todos ocorreram no final da semana passada , sendo o maior deles o que afectou a cadeia de restaurantes Yakiniku King.
A operadora da cadeia de churrasqueiras, Monogatari Corporation, informou em comunicado que os dados de mais de 10,7 milhões de utilizadores registados na sua aplicação podem ter sido comprometidos, após a detecção de um acesso não autorizado na passada sexta-feira. Os dados vazados incluem e-mails e números de telefone.
O grupo de investimento Daiwa Securities, que possui dados de cerca de 110 mil clientes, os 6,6 milhões de utilizadores do serviço de partilha de automóveis Times Car e os 948 mil utilizadores reportados pela empresa de estudos online GMO Research & AI completam a lista de empresas afectadas.
O principal porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, afirmou esta terça-feira, em conferência de imprensa, que as autoridades levam “muito a sério” os ataques cibernéticos, acrescentando que o Executivo está a recolher informações para avaliar a extensão destes ataques. Para já, as autoridades do arquipélago não forneceram mais detalhes sobre esta vaga de ataques cibernéticos.
O Japão tem sido alvo de numerosos ataques da índole nos últimos meses. Em julho passado, chegaram a causar transtornos a empresas do sector alimentar, como a Kentucky Fried Chicken (KFC), ao afectar um dos principais produtores de alimentos congelados.
Em Setembro do ano passado, os ataques obrigaram a fabricante de bebidas Asahi a interromper a distribuição dos seus produtos e a gerir manualmente as encomendas durante meses, gerando também uma escassez significativa de bebidas alcoólicas.
Estes ataques cibernéticos no arquipélago decorrem em paralelo com uma série semelhante na vizinha Coreia do Sul, onde a polícia iniciou uma investigação esta terça-feira. Várias empresas financeiras, incluindo os principais bancos do país, foram afectadas por uma série de incidentes que, segundo as autoridades, podem ter sido realizados com recurso a inteligência artificial.

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