Paris. Descoberto troço de muralha gaulesa

Fotografia: Slavan/Unsplash

O Ministério da Cultura francês revelou, esta quarta-feira, a descoberta na Île de la Cité, no centro de Paris, de um muro de pedra e madeira com cerca de 20 metros. A estrutura poderá fazer parte das fortificações da antiga Lutécia dos Parisii, uma tribo gaulesa que habitava a região antes da conquista romana.

“Podemos estar perante um dos vestígios mais importantes já descobertos para compreender a Lutécia gaulesa”, declarou a ministra francesa da Cultura, Catherine Pégard, em comunicado.

No entanto, a governante acrescentou que a prudência científica exige ainda a verificação da função da estrutura, bem como da sua datação precisa. Pégard considera, no entanto, que a convergência dos indícios é especialmente significativa.

Em declarações à imprensa no local da descoberta, Pégard manifestou a sua “emoção” ao contemplar o que classificou como um “microcosmo da história, uma versão condensada das nossas vidas, das nossas vidas em Paris, o que é absolutamente fabuloso”: “Se se provar que a muralha que acabámos de descobrir data do século I a.C., será, sem dúvida, aberta uma nova via de investigação histórica e arqueológica, o que é fantástico. De certa forma, poderá ser um vestígio da Lutécia pré-romana descrita por Júlio César nas suas “Guerras da Gália”, afirmou, por sua vez, o vice-presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire.

O autarca acrescentou: “É incrivelmente emocionante descobrir isto, e compreende-se que, naquela época, a topografia do local não se parecia em nada com a que conhecemos hoje. Mas é realmente comovente”.

A descoberta ocorreu durante escavações iniciadas em Fevereiro em dois pátios do Hôtel-Dieu, no âmbito da renovação do complexo hospitalar situado a poucos metros de Notre-Dame.

Os trabalhos estão a cargo do serviço arqueológico da cidade de Paris (DHAAP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas (INRAP), sob a supervisão científica do Ministério da Cultura.

O muro, segundo o comunicado, apresenta uma técnica de construção característica das fortificações gaulesas do final da Idade do Ferro. Os arqueólogos encontraram, além disso, vestígios de um “incêndio violento”, incluindo sementes carbonizadas e restos de uma estrutura de madeira queimada.

A combinação destes indícios com uma ampla plataforma artificial de areia e cascalho, situada atrás do muro, sugere que se poderá tratar de parte do oppidum de Lutécia, o povoado fortificado dos parisii.

A hipótese ganha especial relevância porque as fontes históricas situam em 52 a.C. a destruição de Lutécia pelo fogo face ao avanço das tropas de Júlio César, de acordo com o Ministério da Cultura.

As primeiras análises de carbono-14 realizadas a elementos de madeira situam os vestígios entre 200 e 10 a.C. Além disso, os arqueólogos recuperaram a ponta de uma lança gaulesa junto à base do muro.

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