Fragmento do tratado de paz “mais antigo do mundo” descoberto na Turquia

Fotografia: Martijn Vonk/Unsplash

O ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, anunciou esta segunda-feira a descoberta de um fragmento do tratado de paz entre egípcios e hititas, datado de 1259 a.C. O artefacto é considerado o documento diplomático mais antigo cujo texto foi preservado.

“Descobrimos um vestígio de um tratado paz de há milhares de anos nas terras da Anatólia”, escreveu o ministro na sua conta na rede social X. O anúncio foi feito no dia em que se celebra o Dia Mundial da Paz.

O fragmento foi encontrado durante escavações em Hattusa, a antiga capital do reino hitita, na atual província de Çorum, situada a cerca de 150 quilómetros a leste de Ancara. O tratado foi estudado por arqueólogos durante algum tempo antes da descoberta ser anunciada ao público.

Trata-se de um pedaço de uma placa de argila com inscrições cuneiformes na língua acádia. O artefacto é uma cópia do tratado, também conhecido como “Acordo de Kadesh”, assinado no século XIII a.C. pelo faraó egípcio Ramsés II e pelo rei hitita Hattusili III.

O tratado pôs fim à guerra que opunha ambos os impérios no território da actual Síria. Egípcios e hititas comprometeram-se, inclusivamente, a formar uma aliança de ajuda militar mútua em caso de agressão por terceiros.

Uma versão do tratado foi preservada numa inscrição hieroglífica no templo de Karnak, no Egipto, enquanto os primeiros fragmentos da versão hitita, em escrita cuneiforme, foram encontrados em Hattusa durante as escavações de 1906.

Ersoy salientou que o fragmento encontrado agora corresponde a uma parte do tratado que trata dos refugiados, o que considerou “uma mensagem poderosa de há milhares de anos de que não se deve expulsar” a população civil numa guerra.

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