Bélgica. Descoberto povoado romano com quase dois mil anos

Fotografia: Peter Bryan/Unsplash. Imagem meramente ilustrativa.

As autoridades belgas, em conjunto com uma equipa de arqueólogos,  apresentaram, esta segunda-feira, os vestígios de um povoado romano que dataria do ano 200 d.C.. O povoado foi descoberto durante obras na localidade flamenga de Koolkerke, nos arredores de Bruges.

A descoberta ocorreu na primavera passada, durante a construção de um reservatório de águas pluviais destinado a prevenir inundações. Segundo os arqueólogos, o povoado situava-se precisamente numa zona frequentemente inundada devido às chuvas, numa zona próxima do mar naquela época.

No entanto, os especialistas suspeitam que as actividades económicas — entre as quais se acredita estar a extração de sal — e a construção de diques foram factores decisivos para que os habitantes decidissem continuar a viver no local: “Este local devia ser muito interessante para os habitantes, dado que regressavam com relativa persistência. Aqui vemos a construção de uma barragem erguida em apenas alguns dias. Posteriormente, foi preenchida com turfa, primeiro com cuidado e depois com uma pressa crescente. Talvez até o exército romano tenha vindo ajudar, uma vez que a mão-de-obra necessária devia ser considerável”, explicou o arqueólogo Sam De Decker, em declarações ao jornal “Le Soir”.

Os arqueólogos acrescentaram que é provável que, com o passar dos anos, o povoado tenha sido inundado e desaparecido depois de perder a batalha contra a força do mar.

Foram recuperados numerosos fragmentos materiais do povoamento, embora restem poucos vestígios dos edifícios, uma vez que, por serem construídos com barro e madeira, se decompuseram facilmente: “Estamos certos de que o local foi habitado. Podemos comprovar isso graças à cerâmica e a outras descobertas, como cinco poços. Observámos também que os seus habitantes gozavam de um certo estatuto social. Isso é evidente nos artefactos, que incluem fragmentos da luxuosa “terra sigillata” (cerâmica romana), ânforas, alfinetes de bronze e moedas do reinado do imperador Adriano”, acrescentou De Decker.

Tanto os arqueólogos como o governo flamengo afirmaram que a descoberta permitirá conhecer melhor as origens da cidade medieval de Damme, situada junto ao local do achado, e perceber de que forma as pessoas lidavam com os fenómenos naturais desde épocas muito remotas: “Estamos a descobrir como, há quase 2000 anos, as pessoas enfrentavam o risco de inundações, um fenómeno que ainda hoje enfrentamos”, afirmou o ministro do Património flamengo, Ben Weyts.

O sítio arqueológico estará aberto ao público esta quarta-feira, 23 de Setembro. Esta será a única oportunidade de visitar os vestígios arqueológicos antes de serem enterrados definitivamente.

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*


This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.