O Azerbaijão e a Arménia voltaram a trocar tiros de artilharia esta segunda-feira pelo segundo dia consecutivo, um confronto que provocou quatro mortes do lado azeri. A Rússia, principal potência da região, considerou “inaceitável qualquer nova escalada que ameace a segurança regional” no Cáucaso e pediu aos beligerantes “contenção”, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
Três soldados do Azerbaijão foram mortos no domingo e um quarto esta segunda-feira na região de Tavuch, na fronteira entre as duas antigas repúblicas soviéticas, de acordo com o ministério da Defesa do Azerbaijão, que também anunciou um ataque em resposta que destruiu um posto militar avançado arménio.
O ministério da Defesa da Arménia afirmou que o lado azeri retomou na manhã desta segunda-feira os disparos de morteiros contra posições arménias, após os primeiros confrontos da artilharia interpostos no dia e na noite anterior. Os responsáveis arménios não mencionaram vítimas.
Yerevan e Baku acusam-se mutuamente de terem iniciado as hostilidades: “As autoridades políticas e militares da Arménia têm total responsabilidade por estas provocações”, disse o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev.
O primeiro-ministro arménio, Nikol Pachinian, declarou, por sua vez, que “as provocações (do inimigo) não ficarão sem resposta”. O ministro da Defesa arménio, David Tonoïan, alertou que as forças arménias estão prontas para assumir posições no território inimigo se necessário.
Uma reunião da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, um bloco liderado pela Rússia e do qual a Arménia faz parte, deve discutir esta segunda a retomada da violência entre os dois países. O Azerbaijão e a Arménia estão em conflito há décadas.
A presidência do Azerbaijão acusou Yerevan no domingo de querer “envolver a aliança político-militar no conflito”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusoglu, expressou o seu apoio ao Azerbaijão, um país aliado e de língua turca: “O que a Arménia fez é inaceitável”, disse o diplomata, assegurando que “o Azerbaijão não estava sozinho” e tem a Turquia ao seu lado.
Uma guerra aberta entre o Azerbaijão e a Arménia poderia criar instabilidade em toda a região do Cáucaso, onde a Rússia e a Turquia, em particular, têm interesses geo-estratégicos concorrentes.
Arménia e Azerbaijão estão em conflito desde o início dos anos 1990 pelo controlo de Nagorno-Karabakh, um enclave de maioria arménia mas dependente durante a era soviética do Azerbaijão.
O território proclamou unilateralmente a sua independência em 1991, com o apoio da Arménia, iniciando uma guerra com o Azerbaijão que matou cerca de 30.000 pessoas até ter sido assinado um cessar-fogo em 1994.
Os confrontos na região são bastante frequentes. Já os combates na fronteira entre o Azerbaijão e a Arménia são mais raros.
A recente escalada de tensões ocorre após comentários do presidente do Azerbaijão, que tinha ameaçado encerrar as negociações de paz sobre Nagorno-Karabakh e disse que o seu país tinha o direito de procurar “uma solução militar para o conflito”.

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