A República Popular da China vai adoptar medidas de retaliação se o Reino Unido persistir com o plano de conceder a milhões de residentes de Hong Kong a possibilidade de optarem pela cidadania britânica em resposta à nova lei da segurança nacional. O anúncio foi feita esta quinta-feira pela embaixada chinesa em Londres.
“Se a parte britânica fizer mudanças unilaterais na prática pertinente, violará a sua própria posição e os seus compromissos, assim como o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”, afirmou a embaixada num comunicado publicado na sua página da Internet.
“A China opõe-se com veemência a esta tomada de posição e reservámo-nos o direito de adoptar medidas correspondentes”, complementa a representação diplomática chinesa, sem avançar mais detalhes.
Na terça-feira, o Reino Unido tirou o véu a um plano que deve resultar na ampliação dos direitos de imigração de que gozam os residentes de Hong Kong, por considerar que a lei de segurança que entrou em vigor no território vizinho constitui uma violação da autonomia da antiga colónia britânica.
Hong Kong regressou à soberania chinesa em 1997, após um acordo de devolução assinado com o Reino Unido em 1984. A Declaração Conjunta Sino-Britânica previa que o território gozasse de autonomia judicial e legislativa alargada durante 50 anos, até 2047.
Londres tenciona modificar as cláusulas do “passaporte britânico ultramarino” para permitir que os proprietários do documento possam trabalhar e residir no Reino Unido.
Quase 350.000 cidadãos de Hong Kong dispõem de passaporte britânico. O número duplicou desde o início dos protestos pró-democracia no ano passado.
Em princípio, 2,9 milhões de cidadãos de Hong Kong – todos os que nasceram antes de 1997 – teriam direito ao documento.

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