Macau. Governo investe 50 mil milhões no combate ao novo coronavírus

As despesas do Governo com o combate ao surto do novo coronavírus vão ultrapassar os 50 mil milhões de patacas (5,8 mil milhões de euros) em 2020, disse esta segunda-feira o chefe do Governo de Macau.

Com a epidemia “basicamente controlada”, segundo Ho Iat Seng, o território entra agora na “fase de prevenir casos importados e evitar o ressurgimento interno”, mas com o Executivo a enfrentar também a missão de “garantir o emprego, estabilizar a economia, assegurar a qualidade de vida da população, impulsionar a reforma e promover o desenvolvimento”.

Naquele que será o primeiro ano económico com orçamento deficitário, desde a passagem da administração de Macau de Portugal para a República Popular da China, a tónica ‘pós epidémica’ será centrada no “aumento adequado dos investimentos públicos”, na revitalização do sector turístico, no incentivo e captação de investimento privado, no apoio às pequenas e médias empresas, garantiu o governante durante a apresentação na Assembleia Legislativa (AL) das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2020.

O Governo liderado por Ho Iat Seng, que tomou posse há cerca de quatro meses, comprometeu-se ainda em “lançar uma série de medidas de redução e isenção de impostos e taxas (…) fomentar a procura interna” e “lançar o plano de ‘criação de emprego em vez de subsídios’”.

Intensificar a construção de diversas obras, designadamente as relacionadas com os transportes urbanos, a habitação pública e as instalações governamentais; reforçar a fiscalização na gestão do erário público; e revitalizar o sector do turismo e do lazer são três das prioridades prometidas por Ho Iat Seng.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa salientou que Macau enfrenta actualmente “a mais grave crise de saúde pública” na história do território, mas fez questão em enumerar vários “problemas estruturais e profundos” que têm afectado o desenvolvimento sustentável de Macau.

Entre eles, o actual desajustamento da Administração Pública e do sistema jurídico, o risco da dependência económica do jogo, bem como o facto de a construção das infra-estruturas urbanas não acompanharem “o ritmo do desenvolvimento social e económico”.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou uma contração de 29,6 por cento da economia de Macau este ano, devido à pandemia da covid-19, num território cuja economia é altamente dependente do jogo e que registou receitas de 292,46 mil milhões de patacas (cerca de 32,43 mil milhões de euros) no final de 2019.

A capital mundial do jogo teve em Março quebras nas receitas na ordem dos 79,7 por cento, em relação a igual período de 2019, mês em que as medidas para conter o surto do novo coronavírus praticamente encerraram as fronteiras do território e depois de em Fevereiro os casinos terem fechado pelo menos 15 dias.

A economia em Macau praticamente paralisou então, o que levou o Governo a avançar com apoios à população e às empresas.

A 8 de Abril, o Governo de Macau reforçou as medidas, anunciando ajudas no valor de 13,6 mil milhões de patacas (1,57 mil milhões de euros), depois de já ter decidido utilizar 38,95 mil milhões de patacas (4,5 mil milhões de euros) da reserva especial para fazer face ao impacto económico motivado pela pandemia do novo coronavírus, que no final de Fevereiro levou as autoridades a enviar funcionários públicos para casa e a adiar o recomeço das aulas.

Este domingo, as autoridades anunciaram que as aulas do ensino secundário recomeçam em Maio. Primeiro o ensino secundário complementar, a 4 de Maio. Depois, o ensino secundário geral, a 11 de Maio.

Uma decisão para a qual pesou o facto de Macau, que identificou 45 infectados desde o início do surto do novo coronavírus, não registar novos casos desde 9 de Abril.

Após uma primeira vaga de dez casos em Fevereiro, o território esteve 40 dias sem identificar qualquer infecção. Contudo, a partir de meados de Março foram identificadas mais 35 pessoas infectadas, todos casos importados. Do total de infectados, 22 já receberam alta hospitalar.

A nível global, a pandemia do novo coronavírus já provocou mais de 165 mil mortos e infectou mais de 2,3 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

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