No entender de John Magufuli, a República Popular da China é a única nação a apoiar de forma desinteressada dos países africanos. As declarações do Chefe de Estado foram feitas esta terça-feira durante a inauguração da nova Biblioteca da Universidade de Dar Es Salam, uma obra construída por Pequim.
O Presidente da Tanzânia, John Magufuli, criticou na terça-feira a posição de vários países e organizações ocidentais, que ameaçam retirar apoios financeiros, e elogiou a presença chinesa no país, que diz “oferecer ajuda sem condições”.
“As coisas grátis são na verdade caras, essencialmente quando são dadas por alguns países”, disse o chefe de Estado, aludindo à posição tomada por alguns países doadores, que ameaçaram retirar fundos de ajuda fundamentais para o país.
As declarações surgem depois de alguns dos países e organizações doadoras terem ameaçado retirar fundos necessários ao país, justificando as medidas com a deterioração das condições humanitárias na Tanzânia.

A Dinamarca está a reter as 65 milhões de coroas (cerca de 8,7 milhões de euros) em ajuda externa ao país, depois de o comissário regional de Dar Es Salam ter feito “comentários homofóbicos inaceitáveis” que também levaram a União Europeia a rever o seu apoio financeiro.
O Banco Mundial suspendeu um empréstimo de 300 milhões de dólares (cerca de 265,5 milhões de euros) destinado à educação, depois da proibição criada pelo Estado em readmitir alunas que tenham estado grávidas: “As únicas coisas realmente grátis são as fornecidas pela China”, afirmou Magufuli, durante a abertura da biblioteca da Universidade de Dar Es Salam, capital do país, uma infra-estrutura de 90 mil milhões de xelins (cerca de 34.630 milhões de euros) construída com um fundo chinês: “A China é uma verdadeira amiga que oferece ajuda sem condições”, acrescentou o chefe de Estado da Tanzânia, citado pela Bloomberg.
Vários grupos de defesa dos direitos humanos avisaram que a economia do país está a ser prejudicada. As autoridades da Tanzânia são acusadas de deter membros da oposição e defensores da liberdade de imprensa, assim como de recusar serviços médicos e tratamento para o VIH a membros da comunidade Lésbica, Gay, Bissexual, Transsexual e Intersexo (LGBTI).

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