Oferta da China Three Gorges não é clara, diz Conselho Executivo da EDP

O preço oferecido pela China Three Gorges é a principal razão pela qual a administração da EDP recomenda aos accionistas que não aceitem a oferta da empresa chinesa. O valor, diz o organismo liderado por António Mexia, não reflecte adequadamente o valor da empresa, dado que o prémio implícito na oferta é baixo.

O Conselho Executivo da EDP, liderado por António Mexia, considera que “há mérito nas intenções estratégicas” da China Three Gorges (CTG), que “dependem do seu modelo de implementação”. O responsável diz que um tal modelo “não é claro nesta fase” e pede, por isso, que seja clarificado.

Num relatório hoje divulgado ao mercado, o Conselho de Administração Executivo da energética portuguesa afirma que não dispõe de “elementos suficientemente claros sobre quanto tempo a CTG Europe pretende preservar a identidade portuguesa da EDP e a sua qualidade de sociedade cotada em Lisboa, do modelo societário previsto que garantiria autonomia do centro de decisão e como é que este modelo proporcionaria protecção adequada aos accionistas minoritários, nomeadamente na eventualidade de conflitos de interesse decorrentes da contribuição de activos”.

Entre os méritos reconhecidos na proposta anunciada no passado dia 11 de Maio, António Mexia refere a intenção da CTG de “aportar os activos detidos pela China Three Gorges Corporation na EDP, através de subsidiárias, no Brasil e na União Europeia”, a possibilidade de expansão para o mercado eólico ‘offshore’ (no mar) chinês, o reforço do perfil de crédito da EDP e a intenção de manter uma política de dividendos estável.

“Os méritos das intenções acima descritas dependem do seu modelo de implementação, o qual não é claro nesta fase”, lê-se, porém, no relatório.

Em 11 de Maio passado, a CTG anunciou a intenção de lançar uma OPA voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada acção. O pedido foi registado junto do regulador, sem alterações ao preço oferecido inicialmente.

O preço oferecido pela China Three Gorges é a principal razão pela qual a administração da EDP recomenda aos accionistas que não aceitem esta oferta, por não reflectir adequadamente o valor da eléctrica, pois o prémio implícito na oferta é baixo, considerando a prática pelas empresas europeias do sector.

“O prémio implícito no preço oferecido encontra-se significativamente abaixo do que é a prática em transacções em dinheiro no sector europeu das ‘utilities’, no mercado ibérico e mais genericamente no mercado europeu, em casos em que o oferente adquire controlo”, refere. O Conselho de Administração refere ainda que o montante está abaixo do oferecido em 2011, quando a CTG adquiriu 21,35 por cento da Energias de Portugal.

Esta tomada de posição foi aprovada em reunião do Conselho de Administração Executivo da EDP realizada na quinta-feira, por unanimidade dos membros, e recebeu, na sexta-feira, parecer favorável do Conselho Geral e de Supervisão, órgão liderado por Luís Amado.

Também Conselho de Administração da EDP Renováveis, liderado por Manso Neto, recomendou aos accionistas “não aceitar o preço da oferta” da CTG, por não traduzir o valor da empresa, e considerou que “o calendário proposto subjacente à oferta poderá não corresponder aos melhores interesses dos accionistas da EDP Renováveis e deveria ser clarificado”.

A China Three Gorges, que já detém 23,27 por cento do capital social da EDP, pretende manter a empresa com sede em Portugal e cotada na bolsa de Lisboa.

Caso a OPA sobre a EDP tenha sucesso, a CTG avançará com uma oferta pública obrigatória sobre 100 por cento do capital social da EDP Renováveis (EDPR) a 7,33 euros por acção. A EDP controla 82,6 por cento do capital social da EDPR, que tem a sua sede em Madrid.

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