Natalidade. Nunca se nasceu tão pouco em Macau

O problema está há muito identificado, mas não é por isso que os números deixam de ser alarmantes. Macau caminha para um novo mínimo histórico no número de nascimentos, ao registar uma queda de 4,4 por cento no número de nados-vivos nos primeiros nove meses de 2026.

De acordo com os dados oficiais divulgados esta sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre Janeiro e Setembro nasceram no território 2.037 bebés, menos 93 do que no mesmo período do ano passado.
A tendência de contracção demográfica prolonga o cenário crítico verificado em 2025, ano em que Macau contabilizou apenas 2.871 recém-nascidos, o valor mais baixo desde 1978. A discrepância torna-se ainda mais expressiva quando comparada com a escala populacional de ambos os períodos: em 1978, sob administração portuguesa, a cidade albergava menos de 249 mil habitantes, enquanto no final do passado mês de Setembro a população da região semiautónoma chinesa rondava as 688 mil pessoas.
A par do declínio do número absoluto de nascimentos, que recua pelo sexto ano consecutivo, a taxa de fecundidade do território mantém uma trajectória descendente há 11 anos. Macau fechou o ano de 2025 com uma média de 0,47 nascimentos por mulher em idade fértil, com idade compreendida entre os 15 e os 49 anos, o que representa um decréscimo de 0,11 em relação a 2024. Trata-se do valor mais reduzido desde que a DSEC iniciou a recolha deste indicador, em 2001, e posiciona-se substancialmente abaixo do limiar de 2,1 necessário para garantir o de substituição geracional. Estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas apontam mesmo que a região terá tido, em 2024, a taxa de fecundidade mais baixa a nível mundial, seguida por Singapura (0,95).
O envelhecimento populacional reflecte este desequilíbrio estrutural. A população sénior ultrapassou a jovem pela primeira vez em 2023, levando o Governo de Macau a antecipar a manutenção de uma “superbaixa taxa de natalidade” durante a presente década e a perspectivar que perto de um quarto dos residentes seja idoso até 2041.
Por outro lado, o crescimento populacional total registado no terceiro trimestre de 2026 — com um acréscimo de 1.400 pessoas — sustentou-se quase exclusivamente no fluxo migratório, impulsionado pela entrada de 639 cidadãos provenientes da China continental e pela atribuição de residência a 290 estrangeiros.
Paralelamente aos indicadores demográficos, o relatório da DSEC revela uma redução nas mortes por suicídio no período de Janeiro a Setembro de 2026, contabilizando pelo menos 58 casos, menos 14 do que no período homólogo de 2025. O organismo estatístico ressalva que estes números assentam em certificados médicos de óbito provisórios, dependendo ainda de validação posterior por parte da Polícia Judiciária e dos serviços médico-legais. O dado surge após 2025 ter registado um máximo histórico de 91 suicídios, o valor mais elevado desde o início da compilação de dados estatísticos em 1990.

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