O aventureiro britânico Karl Bushby chegou esta segunda-feira a Hull, sua cidade natal no nordeste da Inglaterra, onde foi aclamado por uma multidão após uma volta ao mundo a pé que durou 28 anos.
Na sua epopeia, que foi interrompida pela pandemia, pela crise financeira ou por problemas com vistos, o antigo militar percorreu 29 países e atravessou florestas, montanhas, desertos e mares de gelo.
“Não fiz isto sozinho. Havia uma grande equipe, a maior equipe: a Terra. Foi isso que foi necessário para que eu pudesse regressar”, disse Bushby, perante 500 pessoas reunidas no centro de Hull para presenciar o fim da sua viagem de 50 mil quilómetros.
Karl Bushby, que partiu a pé do sul do Chile em 1998, impôs duas regras para o seu périplo: a primeira, não utilizar nenhum meio de transporte para se deslocar. A segunda: não voltar a casa antes de completar o desafio.
O ex-paraquedista do Exército britânico percorreu todo o continente americano, cruzou o Estreito de Bering do Alasca até a Rússia e depois seguiu para a Ásia Central e a Europa.
Após a cerimónia prevista para esta segunda-feira pela prefeitura de Hull, o explorador, que agora tem 57 anos, percorrerá a última etapa de sua odisseia até chegar à casa da mãe, Angela. Na residência, ele vai reencontrar o filho Adam, de 32 anos, e conhecer a sua neta, de 12 anos.
O ex-militar afirmou que estava “absolutamente impressionado” com a recepção: “Muitas pessoas acompanharam a aventura épica de Karl. Todos nós nos sentimos inspirados pelo seu espírito, a sua tenacidade e a sua determinação férrea”, declarou a prefeita de Hull, Maria Coward, que destacou que a cidade sente “um enorme orgulho pela sua incrível façanha”.
Barreiras e obstáculos
Karl Bushby iniciou a aventura aos 29 anos, após o fracasso de seu casamento e a mudança da ex-esposa para a Irlanda do Norte com o filho de ambos.
Em quase três décadas, a sua viagem foi interrompida em várias ocasiões. A Rússia negou o visto ao britânico durante anos, enquanto a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid custaram, no total, 14 dos 28 anos de viagem, segundo explicou à AFP no fim de Setembro.
Durante estes períodos, ele suspendeu a travessia e morou, entre outros lugares, no México.
Uma vez resolvidos os problemas, ele retomava a viagem exactamente do local onde tinha parado.
Bushby chegou ao Reino Unido no início de Outubro, depois de atravessar o Canal da Mancha a nado, procedente do norte da França.
Um pequeno grupo de amigos e familiares, entre eles o seu pai, recebeu-o numa praia perto de Dover, no sul da Inglaterra.
A minha vida dava um filme
“É maravilhoso voltar a sentir o solo britânico sob os meus pés ao fim de tantos anos”, declarou Karl Bushby num comunicado.
“Não tem sido fácil, mas este era justamente o objetivo: demonstrar que eu podia fazer mais do que acreditava ser capaz de fazer. Todos podemos alcançar muito mais do que imaginamos”, acrescentou o aventureiro.
O cineasta alemão Werner Herzog e uma equipe de filmagem acompanharam Karl Bushby na sua última etapa, o regresso a casa.
O realizador está a preparar um documentário sobre a jornada de Bushby com o título “Walk of Life”.
A produtora do filme apoiou a aventura do antigo militar nos últimos 16 anos, com ajuda financeira e logística.
Numa entrevista concedida à AFP no mês passado, no norte da França, Karl Bushby expressou certa inquietação diante da ideia de voltar a levar uma vida normal no Reino Unido: “Vou ter que tentar me reintegrar ao mundo dos adultos”, reconheceu.

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