Depois de Mbappé, a Hello Kitty. Sanrio penitencia-se perante Pequim

Depois de Mbappé, a Hello Kitty. Sanrio penitencia-se perante Pequim
Dois dias depois de Kylian Mbappé ter pedido desculpado por ter consternado a China, esta quinta-feira foi a vez da empresa japonesa responsável pela personagem Hello Kitty pedir perdão às autoridades chinesas.

O astro francês enfrentou críticas na China esta semana por causa de um vídeo em que se refere a Mao Zedong como “um ditador”, o que o obrigou a pedir desculpa. A polémica levou o Real Madrid a fazer o mesmo.
No caso de Hello Kitty, a polémica está relacionada com a série de televisão Vivant, de grande audiência no Japão, com o qual a empresa Sanrio mantinha uma colaboração. Fruto dessa parceria, tanto Hello Kitty como outras figuras da Sanrio tinham sido retratadas como personagens de Vivant em artigos de merchandising. 
Num dos episódios, uma organização ligada à China aparece a torturar um membro de uma unidade japonesa de espionagem militar, o que foi entendido pela imprensa estatal de Pequim como calúnia: “Recentemente recebemos retorno de diversos sectores sobre os produtos derivados da colaboração com a série de televisão japonesa Vivant”, indicou a Sanrio, num comunicado. “Pedimos sinceras desculpas por qualquer transtorno que isso possa ter causado”, acrescentou. 
A empresa afirmou que o projecto “contém expressões que são incompatíveis com a filosofia corporativa do Grupo Sanrio” e que, por isso, “decidiu encerrar a colaboração”. 
Antes do pedido de desculpas, o jornal estatal chinês The Global Times acusou o programa de “caluniar a China”, ao afirmar que havia “causado comoção e uma forte reacção adversa nas redes sociais”. 
A série reflecte “a narrativa antichinesa da atual administração conservadora de direita japonesa, alinhada com a tendência ao extremismo de direita da sociedade japonesa”, de acordo com o mesmo jornal.
A emissora privada TBS, criadora de Vivant, inicialmente não respondeu aos pedidos de comentários sobre o caso. 
O presidente do canal disse à imprensa japonesa que a série é de ficção e que a TBS “de maneira alguma adopta uma postura que fomente o conflito entre nações nem endossa o uso da força ou da violência”.

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