As autoridades de saúde de Hong Kong estão a investigar a venda e comercialização ilícita de um composto estético injectável de origem sul-coreana, o Elravie Re2O, promovido como contendo colagénio derivado de tecido cutâneo humano, retirado de cadáveres.
Os Serviços de Saúde de Hong Kong sublinham que o produto está sujeito a regulamentação estrita ao abrigo das leis de transplante de órgãos e de produtos farmacêuticos, não possuindo actualmente autorização para ser vendido ou distribuído na Região Administrativa Especial chinesa.
Nos últimos seis meses, os Serviços de Saúde encaminharam para a polícia seis casos de suspeita de venda ilegal do Elravie Re2O ao abrigo da Portaria sobre o Transplante de Órgãos Humanos. Recentemente, foi também apreendida uma unidade do produto rotulada em coreano.
A legislação local estabelece que a venda ou posse de produtos farmacêuticos não registados constitui um crime punível com pena de prisão até dois anos e multa máxima de 100.000 dólares de Hong Kong por infracção. Adicionalmente, a comercialização de materiais derivados de tecidos humanos requer uma isenção prévia concedida pelo Director dos Serviços de Saúde, a qual ainda não foi emitida para este injectável.
Uma investigação jornalística efetuada pelo jornal East Week revelou que o produto estava a ser oferecido ao público em clínicas e salões de beleza em Hong Kong, com preços a variar entre os 3.480 dólares de Hong Kong por sessão e os 15.000 dólares para pacotes de tratamento. Em alguns estabelecimentos, os procedimentos eram propostos sem a presença de médicos ou sem o devido esclarecimento sobre a origem humana dos tecidos e os respectivos riscos associados, sendo promovidos apenas como “colagénio humano” de elevada compatibilidade.
Dermatologistas e peritos de saúde alertam para os riscos biológicos do procedimento. De acordo com o dermatologista Davis Chan Yung, do Matilda International Hospital, ouvido pelo jornal The Standard os processos actuais de descelularização não garantem a remoção total de material celular residual. Caso subsistam fragmentos biológicos contendo vírus ou bactérias, a sua injecção pode desencadear reacções imunes graves, infecções ou processos inflamatórios. O especialista destacou ainda a escassez de dados científicos sobre o produto, cuja investigação disponível envolveu apenas 20 pessoas ao longo de 20 semanas.
O Elravie Re2O é fabricado pela empresa de biotecnologia sul-coreana L&C Bio, que processa pele, osso e cartilagem de doadores através da tecnologia de descelularização. A Apex Boom, distribuidora exclusiva do produto em Hong Kong, afirmou que a matriz dérmica acelular provém de doadores dos Estados Unidos em instalações certificadas e que os seus processos cumprem os padrões internacionais de esterilização.
No entanto, o responsável da distribuidora confirmou ter pedido a isenção legal em Fevereiro, admitindo que, como o pedido ainda se encontra em processamento pelos Serviços de Saúde, todos os produtos Re2O actualmente em circulação no mercado de Hong Kong são não autorizados, existindo ainda exemplares falsificados a circular.
O produto não possui aprovação para comercialização na China Continental, em Taiwan, nos Estados Unidos ou no Reino Unido. Perante estas lacunas e o aparecimento de novos tratamentos estéticos derivados de tecidos, as autoridades reguladoras da Coreia do Sul confirmaram estar a estudar alterações ao seu próprio quadro de fiscalização.

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