A agência nuclear russa Rosatom assinou, esta sexta-feira, durante a Semana Russa da Energia, um acordo com a Indonésia para a construção de duas centrais nucleares flutuantes. Trata-se do primeiro memorando assinado por Moscovo para construir centrais nucleares no estrangeiro.
“Este é o primeiro acordo de exportação do mundo para o fornecimento de energia a partir de centrais nucleares flutuantes”, declarou o director-geral da Rosatom, Alexei Likhachev, à imprensa local.
O responsável acrescentou que Moscovo espera que a comunidade empresarial internacional tome nota de “um projecto de infraestruturas na área da energia nuclear capaz de transformar a economia de um país”.
De acordo com o acordo entre a Rosatom e a sua congénere indonésia – a PT Pembangkit Listrik Nuklik – as duas centrais eléctricas russas de 200 megawatts fornecerão electricidade à parte norte da Ilha de Halmahera, localizada nas Ilhas Molucas do Norte, no nordeste da Indonésia, dentro de aproximadamente cinco anos. O acordo coincidiu com a visita a Jacarta do vice-primeiro-ministro russo, Denis Manturov, que afirmou que Moscovo está a propor às autoridades indonésias a futura construção de uma central nuclear terrestre mais potente. No passado, a Rosatom confirmou à agência espanhola EFE o seu interesse em exportar centrais nucleares flutuantes de baixa potência para países como a Argentina e o Brasil.
A primeira central nuclear flutuante do mundo – a “Akademik Lomonosov” – construída para resistir a tsunamis e impactos de icebergues, foi lançada em 2019 no meio de críticas de ambientalistas que a consideravam uma bomba-relógio comparável à central de Chernobyl, local do pior desastre nuclear da história em 1986. Com uma capacidade de 70 megawatts e 50 gigacalorias, e a capacidade de fornecer electricidade e calor a uma cidade de quase 100.000 habitantes, a central foi ancorada no porto de Pevek, localizado na região de Chukotka, na Rússia, em frente ao Alasca.
Os Estados Unidos lançaram também uma central nuclear flutuante – a Surgis – no Canal do Panamá em 1968, mas desactivaram-na em 1976 devido aos elevados custos de manutenção.

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