Mau tempo deixa Banguecoque sob alerta

Fotografia: André Mouton/Unsplash

A área metropolitana de Banguecoque está este sábado sob alerta, devido ao risco de inundações provocadas pelas fortes chuvas que fustigam a capital tailandesa há mais de 24 horas. Os aguaceiros já inundaram dezenas de ruas, incluindo em bairros no centro da cidade, e obrigaram as autoridades a abrir abrigos temporários.

“Recomenda-se aos residentes de áreas próximas de canais e regiões de baixa altitude que se desloquem para locais mais elevados, protejam os objectos de valor e evitem deslocações desnecessárias”, informou o Departamento de Prevenção e Mitigação de Desastres da Tailândia (DDPM), numa mensagem enviada para os telemóveis dos residentes de Banguecoque por volta das nove horas da manhã, horário local.

Num outro aviso, o Departamento de Meteorologia explicou que “é provável que ocorram chuvas de fortes a muito fortes” em toda a Tailândia, devido a um “sistema activo de baixas pressões” que se encontra actualmente sobre a região central do país — onde se situa Banguecoque — e à monção que afecta em simultâneo as regiões norte, sul e sudoeste.

O organismo alertou para a possibilidade de “inundações repentinas, transbordamentos e deslizamentos de terra”, bem como para o “fortalecimento dos ventos”, que ameaçam provocar ondas de até três metros de altura no Golfo da Tailândia e no Mar de Andaman.

Várias zonas de Banguecoque — cidade com cerca de 9 milhões de habitantes no seu município e mais de 15 milhões na área metropolitana — estão inundadas, depois de ter chovido durante mais de 24 horas consecutivas. Entre elas está parte do bairro central de Ekkamai, uma situação incomum para a capital, que costuma registar chuvas intensas, porém de menor duração, durante a estação chuvosa, a qual se estende aproximadamente de Junho a Outubro.

De acordo com as autoridades, a zona oriental da capital é a mais afectada pelo temporal, que deverá durar cinco dias. A água está a impedir a circulação de veículos de pequenas dimensões, sobretudo motociclos, um dos principais meios de transporte na Tailândia: “Calculo que haja cerca de 40 centímetros de água acima do nível do passeio. Há 300 casas em que o nível da água chega, no mínimo, até ao joelho”, explicou o espanhol Eneko Iruretagoyena, morador numa zona próxima de um canal perto do Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, em declarações à agência EFE. O  expatriado basco afirma ter armazenado provisões face à previsão de que as chuvas dificultariam a mobilidade.

As autoridades montaram abrigos temporários em vários bairros, sobretudo no nordeste e norte da capital — como Lat Phrao e Chatuchak, perto do centro, ou Don Mueang, onde se situa o outro aeroporto internacional da cidade.

Banguecoque é especialmente susceptível a inundações durante chuvas fortes devido a factores como a sua localização no delta do rio Chao Phraya, a pouco mais de um metros e meio acima do nível do mar. A histórica sobre-exploração de aquíferos subterrâneos, que contribuiu para o afundamento do solo da metrópole, e a sua extensa rede de canais são outros dos factores que agravam o impacto da cheia.

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