O Tribunal Provincial de Koh Samui, no sul da Tailândia, anunciou esta sexta-feira que se mantém a sentença de primeira instância que condenou a prisão perpétua Daniel Sancho, de acordo com um comunicado a que a agência EFE teve acesso. O espanhol é acusado do homicídio premeditado do colombiano Edwin Arrieta.
“O Tribunal de Recurso da Região 8 confirma a sentença do tribunal de primeira instância”, indica o texto. A nota acrescenta que “se mantém a condenação do arguido por homicídio premeditado, bem como pelos crimes relacionados com a ocultação e o esquartejamento do cadáver e a destruição do passaporte da vítima”.
O comunicado foi divulgado pelo Gabinete do Poder Judicial da Tailândia, em Banguecoque, logo após o final da sessão à porta fechada no Tribunal Provincial de Samui, na qual o juiz leu às partes a decisão sobre os recursos, previamente elaborada pelo Tribunal de Apelação de Phuket, responsável pelo caso.
A audiência teve início às 10h00, hora local, e terminou cerca de duas horas depois, contando com a presença dos advogados e representantes tailandeses de ambas as partes: Aphichat Srinuel e Alice Keartjareanlap, responsáveis pela defesa de Sancho, e Metapon Suwancharen e Nattha Jongratwanin (“Lak”), em nome da família da vítima.
Daniel Sancho participou por videoconferência a partir da prisão de Surat Thani, onde cumpre pena. A família de Arrieta e a defesa de Sancho apresentaram os seus recursos em Dezembro de 2024 e Março de 2025, respectivamente: a parte do colombiano requereu o agravamento da pena para a pena capital, devido à “contundência” das provas, e o aumento da indemnização, fixada em 4,42 milhões de bahts – cerca de 117.000 euros ou 133.500 dólares – na sentença de primeira instância.
Por sua vez, a defesa de Sancho pediu, no seu recurso, a realização de uma nova audiência ou a repetição do julgamento para convocar novas testemunhas, sustentando que a morte de Arrieta ocorreu devido a um acidente durante uma rixa:
“A pena definitiva continua a ser de prisão perpétua”, aponta o comunicado judicial, sublinhando que a punição já tinha sido reduzida – a pena de morte está reservada pela Tailândia para casos de homicídio premeditado — na sentença de primeira instância, “por se considerar que o depoimento do arguido foi útil para o processo”.
Daniel Sancho, de 32 anos — filho e neto dos famosos actores espanhóis Rodolfo Sancho e Félix Ángel Sancho Gracia — foi condenado em 2024 a prisão perpétua pelo homicídio premeditado e pelo esquartejamento do cirurgião plástico colombiano Edwin Arrieta, de 44 anos, ocorrido um ano antes num hotel da ilha vizinha de Phangan.
O resultado dos recursos mantém ainda a indemnização de 4,42 milhões de bahts a favor dos pais da vítima. O documento destaca ainda “a aquisição de facas, uma serra, um machete ou faca de talho, sacos de lixo, luvas de borracha e produtos de limpeza”, artigos que tinha armazenado num quarto de hotel antes do dia dos factos: “Portanto, o tribunal concluiu que se tratou de um homicídio premeditado”. A sentença mantém-se, assim, “integralmente confirmada”, acrescenta o comunicado, que afasta a existência de “necessidade de novas provas solicitadas pelo arguido”.

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