As autoridades da Tailândia, Indonésia, Malásia e Filipinas instaram os seus cidadãos a terem cuidado ao planear viagens para a Europa. Em causa está a onda de protestos que eclodiu nos últimos dias em países como França, Grécia, Itália e Portugal.
Esta semana, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia emitiu um alerta de viagem dirigido aos cidadãos tailandeses que se encontram na Europa e para aqueles que planeiam viajar para o continente, “tendo em conta os protestos e distúrbios que ocorrem em diversas áreas e o potencial de estes eventos se espalharem para outras regiões”.
Entre outras recomendações, o alerta insta os tailandeses a garantirem que os seus documentos estão em ordem “em caso de emergência” e a evitarem viajar para áreas com protestos, distúrbios ou outras zonas de alto risco, conforme declarado pelas autoridades locais: “Para os cidadãos que necessitem de viajar para a Europa durante este período, por favor revejam cuidadosamente as notícias e informações antes de tomarem qualquer decisão”, acrescentou o governo de Banguecoque.
Questionada sobre a situação numa conferência de imprensa, a directora dos Serviços de Protecção do Ministério dos Negócios Estrangeiros indonésio, Heni Hamidah, afirmou na quinta-feira que não foi emitido qualquer alerta de viagem para a Europa até à data. A responsável instou, ainda assim, os cidadãos indonésios a manterem-se vigilantes em relação ao desenvolvimento das manifestações de rua, várias das quais resultaram em confrontos com a polícia e actos de vandalismo: “Acompanhem o desenvolvimento da situação de segurança local e prestem atenção às informações oficiais fornecidas pelas autoridades locais. Aqueles que estão actualmente na Europa são também aconselhados a ajustar os seus planos de viagem, tendo em conta possíveis perturbações nos transportes públicos”, disse ela.
No caso da Malásia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros declarou que está a “monitorizar de perto as manifestações”, especialmente em França, enquanto a Embaixada em Paris emitiu uma recomendação em que insta os malaios no país a “exercerem cautela e a manterem-se alerta”: “Embora não haja restrições de viagem para França, os cidadãos malaios são aconselhados a considerar o adiamento das viagens não essenciais até que a situação melhore”, refere o comunicado.
Entretanto, nas Filipinas, a porta-voz presidencial Claire Castro declarou na segunda-feira que o Governo de Ferdinand Marcos Jr. está também a acompanhar de perto a situação em França e garantiu o “repatriamento imediato” dos seus cidadãos para o arquipélago, caso o solicitem.
Algumas das manifestações estudantis e pelos direitos à habitação, que também ocorreram na Bélgica e na Albânia, terminaram em violência perpetrada por aqueles que “se aproveitam dos protestos para cometer actos de vandalismo”, segundo o responsável pelos direitos humanos da ONU, Volker Türk, esta semana.
O Alto Comissário manifestou ainda preocupação com o potencial uso excessivo da força contra os manifestantes e instou os Estados a envolverem-se num diálogo construtivo com os manifestantes, “particularmente os jovens”, e a tomarem medidas concretas para atender às suas “legítimas preocupações”.

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