Timor-Leste. Fumo de fogos florestais encerra escolas

Fotografia: Diego Romeo/Unsplash

Timor-Leste deu esta quinta-feira início a um período de três dias de encerramento das escolas, motivado por uma densa nuvem de poluição atmosférica com origem nos devastadores incêndios florestais que afectam a vizinha Indonésia.

Na capital, Díli, a população manteve a rotina sob um céu de tom alaranjado, embora a maioria dos transeuntes circulasse de máscara, em conformidade com as recomendações emitidas pelo Governo na quarta-feira, aquando do anúncio da suspensão das aulas. Os residentes acolheram favoravelmente a medida, notando, contudo, que a qualidade do ar esteve ainda mais crítica no início da semana: “Recentemente, a poluição em Díli tem sido extremamente grave”, relatou à agência AFP Sonya da Costa Soares, parteira de 30 anos. “Não conseguimos ver o sol e a poluição é densa”, acrescentou.

Apesar de o seu filho ainda não ter idade para frequentar a escola, Soares considera a decisão de manter os estudantes em casa “fundamental para não colocar as crianças em risco”.

Embora a Indonésia registe incêndios florestais com regularidade durante a época seca, a vaga deste ano reveste-se de particular gravidade devido à seca severa provocada pelo fenómeno El Niño. As chamas já consumiram centenas de milhares de hectares de floresta e plantações nas regiões de Sumatra, Bornéu e Papua, fazendo disparar os níveis de poluição não só nas zonas afectadas, mas também na Malásia, em Singapura, nas Filipinas e em Timor-Leste.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, o Governo timorense justificou a suspensão das actividades lectivas como uma medida imperativa para “proteger a saúde de alunos, professores e demais membros da comunidade educativa, face às actuais condições da qualidade do ar”. As autoridades apelaram ainda às famílias para que mantenham as crianças no interior das habitações e aconselharam o uso de máscara nas deslocações à rua.

Vitaliano da Costa Calapes, estudante de 18 anos do Colégio Santo Inácio de Loiola, explicou que se encontra a preparar os exames finais a partir de casa: “Permanecemos em casa, mas continuamos a estudar. Estamos na fase dos exames finais”, referiu. “Esperamos que nos próximos dias a poluição se dissipe e as aulas regressem à normalidade”, acrescentou.

Também Felicidade Alves dos Santos Martins, cuja filha Febrianti se encontra em casa sem aulas, sublinhou a gravidade da situação no início da semana. “Parecia que o fumo dos incêndios cobria toda a cidade de Díli e as montanhas circundantes”, recordou. “Esta poluição é muito perigosa e pode provocar graves problemas de saúde”, alertou.

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