O linguista e especialista em comunicação faleceu no passado dia 7, aos 92 anos. As exéquias fúnebres decorreram na terça-feira, numa cerimónia intimista, reservada à família e aos amigos mais próximos.
Reconhecido linguista, especialista em comunicação e figura de relevo no estudo e dinamização das relações entre a China e Macau na recta final do período de administração portuguesa, Gary Ngai faleceu a 7 de Outubro, aos 92 anos, noticiou esta quinta-feira a Rádio Macau.
Nascido em 1932 em Semarang, na ilha indonésia de Java, onde completou a instrução primária e secundária, Gary Ngai Mei Cheong rumou posteriormente a Pequim, onde ingressou na Universidade Popular. Na capital chinesa, construiu uma sólida carreira académica que culminou, em 1978, na sua nomeação como professor catedrático na Academia de Relações Exteriores de Pequim, com especial foco nos assuntos da Europa Ocidental. O seu domínio linguístico e rigor técnico levaram-no a actuar como intérprete para alguns dos principais líderes da história chinesa contemporânea, designadamente Mao Zedong e Deng Xiaoping. Durante a estadia em Pequim, privou com o poeta e tradutor português António Graça de Abreu, que lamentou a morte do amigo, com uma publicação na rede social Facebook: “Grande senhor, Gary Ngai, tive sempre por ti um respeito imenso, retribuíste com uma infindável amizade. Descansa em paz”.
Aos 47 anos, Ngai fixou residência em Macau, dando início a uma marcante trajectória no panorama mediático e cultural da região. O seu percurso profissional no território começou na Teledifusão de Macau (TDM), onde ingressou como tradutor na redacção. Com o passar dos anos, ascendeu na estrutura da empresa, até assumir o cargo de director adjunto de programação do canal de rádio em língua chinesa. Integrou igualmente a equipa pioneira que ajudou a fundar o serviço de televisão da emissora pública, em 1984.
Na fase subsequente da sua vida, dedicada à diplomacia cultural e ao associativismo, fundou, em Abril de 2005, a Associação de Macau para a Promoção do Intercâmbio entre a Ásia-Pacífico e a América Latina (MAPEAL), instituição da qual foi presidente do Conselho Executivo ao longo de vários anos. As cerimónias fúnebres realizaram-se na passada terça-feira, dia 13, num ambiente reservado à família e aos amigos mais próximos.

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