Oito orangotangos resgatados dos incêndios florestais que devastaram o Bornéu foram libertados numa floresta protegida. O anúncio foi este domingo feito pelas autoridades indonésias e as equipas de resgate.
Os animais foram resgatados de várias áreas atingidas pelo fogo na província de Kalimantan Ocidental, no lado indonésio do Bornéu, informaram o Ministério das Florestas e a fundação para reabilitação da vida selvagem YIARI em comunicado.
Os orangotangos – três mães com crias e dois machos adolescentes – foram transferidos na sexta-feira para a Floresta Protegida de Batu Nyambu, em Kalimantan Ocidental, uma reserva de 23 mil hectares.
Esta foi uma “medida necessária” porque o habitat dos animais já não era seguro, explicou a diretora-geral da YIARI, Karmele Llano Sánchez: “Proteger os habitats será sempre uma prioridade máxima para garantir que os orangotangos continuam a ter florestas seguras para viver, mas enquanto o seu habitat se mantiver ameaçado, o resgate é uma das melhores opções que podemos tomar para os ajudar a sobreviver”, disse Sánchez. A reserva foi escolhida pela disponibilidade de fontes de alimento e água, bem como pela sua conectividade com outras florestas, explicou Argitoe Ranting, directora de operações da YIARI.
“Queremos garantir que os orangotangos resgatados não são simplesmente transferidos de um lugar para outro, mas que têm de facto uma hipótese de sobreviver no seu habitat natural”, acrescentou.
As autoridades indonésias e a YIARI resgataram 46 orangotangos dos incêndios entre Agosto e 9 de Outubro, informou Murlan Dameria Pane, director da agência local de recursos naturais.
Os orangotangos estão criticamente ameaçados de extinção. De acordo com a WWF, restam aproximadamente 104.000 orangotangos no Bornéu e em Sumatra, em comparação com mais de 230.000 há um século.
No mês passado, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) alertou para incêndios em habitats que albergam 52 por cento dos orangotangos do Bornéu.
Os incêndios florestais são comuns na Indonésia durante a estação seca, mas este ano intensificaram-se devido ao fenómeno meteorológico El Niño, que se prevê ser um dos mais fortes desde que os registos começaram, há quatro décadas.
Os especialistas atribuem ainda o problema às práticas de queimadas para desflorestação, que alteraram a paisagem naturalmente resistente ao fogo.
Estes incêndios provocaram um denso nevoeiro, dezenas de milhares de casos de doenças respiratórias e picos de poluição atmosférica em Singapura e na Malásia.

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